Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 31/12/2020

No livro ‘’Fahrenheit 451’’, é contado a história de uma sociedade que sobrevive tentando preservar o seu patrimônio cultural, em forma de livros, enquanto bombeiros, cuja função é, teoricamente, apagar incêndios e cuidar da segurança das pessoas, tentam queimá-los a todo custo, a fim de manter a sociedade ‘’estável’’. De modo análogo a essa ficção, como evidenciado no episódio de incêndio do museu nacional, nota-se um descaso com a manutenção do patrimônio histórico cultural brasileiro, seja por motivos públicos ou individuais. Dessa forma, uma análise acerca das causas e consequências da falta de proteção desses bens históricos faz-se necessária.

Em primeiro lugar, é importante a pontuação de motivos que estimulam o déficit de preservação desses patrimônios. Nesse sentido, constata-se que o investimento na produção, exposição e/ou preservação dos bens histórico-culturais não é o foco dos governos atuais. A exemplo disso, tem-se o congelamento de 150 milhões de reais destinados à Secretaria da Cultura por parte do governador de São Paulo, Dória, em 2020. Ademais, verifica-se que o ensino voltado ao reconhecimento e à preservação das fontes histórico-culturais, tal como na teoria estruturalista, na qual a educação é centrada na assimilação de sua cultura em função de outras, pelo conceito de alteridade, o que garante maior entendimento a respeito das dinâmicas culturais, é insuficiente, na medida em que a maior parte da população tem o seu contato com essas disciplinas exclusivamente nas escolas e possui pouco conhecimento acerca do assunto.

Além disso, é, da mesma maneira, fundamental a marcação dos efeitos negativos da preservação do patrimônio histórico cultural deficiente. Nessa perspectiva, percebe-se que a carência desses bens faz com que muitos brasileiros não compartilhem da mesma identidade cultural nacional que os outros, o que, consequentemente, gera instabilidade na disposição pública e polarização populacional, pois não se reconhecem como uma unidade.

Depreende-se, portanto, que medidas visando à preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro são de extrema importância. Para tanto, o Ministério da Cultura, principal órgão gestor dos bens financeiros e materiais voltados à exposição, produção e preservação cultural, junto ao Ministério da Educação, deve enviar recursos públicos suficientes à manutenção desses patrimônios e promover o ensino direcionado ao reconehcimento desses bens. Isso tudo por meio do manuseio de verbas públicas a órgãos que lidam com esses patrimônios, bem como palestras ou aulas temáticas ministradas por professores de sociologia, e com a finalidade de que a cidadania apreenda a importância do patrimônio histórico cultural brasileiro.