Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 13/03/2021

A série “Cidade Invisível”, da Netflix, conseguiu sucesso por gerar no público brasileiro a sensação de reconhecimento da identidade nacional, por meio da representação do folclore. No entanto, de modo geral, a realidade para o patrimônio histórico cultural é mais hostil, posto que a subjugação de elementos tradicionais e o descaso do poder público marginalizam a memória coletiva que constitui a nação. Essa situação é potencializada por uma educação ainda eurocêntrica e pela falta de investimentos na preservação do conjunto de acervos culturais.

Em primeiro lugar, o sociólogo Gilberto Freyre defende a valorização da história e da antropologia para se compreender o país. Todavia, escolas atendem, sobretudo, aos padrões das classes dominantes, formadas por brancos euro-americanos, o que inibe o reconhecimento do mérito cultural de outros povos. Por exemplo, o folclore, cujas origens são indígenas, é severamente preterido pelo “Halloween”. Assim, a série supracitada cumpriu uma função social importante, pois resgatou a tradição popular e mostrou o quanto ela também é interessante. Diante disso, é de extrema necessidade que a educação, enquanto formadora de cidadãos, prestigie todos os participantes da história brasileira, como forma de gerar na população a consciência do que é a memória nacional.

Somado a esse empecilho, há falta de atenção do Estado em relação à manutenção, em especial, dos monumentos. A maior prova dessa negligência foi o incêndio, em 2018, do Museu Nacional do Rio de Janeiro, que antes possuía cerca de vinte milhões de itens das mais variadas áreas do conhecimento e que, mesmo com tão exclusivo acervo, não tinha sequer um sistema de segurança contra fogo. Essa situação revela o desinteresse do poder público, de modo que cabe à população reivindicar atuações mais eficazes e pressionar o Governo a preservar os locais que abrigam a memória brasileira.

Destarte, é essencial que o patrimônio histórico cultural não se torne lenda. Para isso, a Secretaria de Cultura deve se aliar ao Ministério da Educação e às escolas em um projeto sobre a multiculturalidade brasileira, por meio de matérias das áreas de humanas que ensinem as tradições e os contextos dos povos que compõem o país, principalmente as minorias, a fim de admitir a importância desses grupos para a identidade brasileira. Ademais, a mídia deve participar dessa campanha e veicular propagandas de conscientização, como forma de instruir a sociedade sobre a necessidade dos bens materiais e imateriais, além das consequências de sua degradação ou esquecimento, fazendo com que a população exija do Estado maiores investimentos, visando a proteção do patrimônio histórico cultural.