Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 10/03/2021
Presença indígena, colonização portuguesa, escravização de africanos. Esses eventos e povos foram os principais fatores que moldaram a história do Brasil, e assim responsáveis por grande parte do que chama-se hoje de cultura brasileira. Com características de tantos povos e mais de 500 anos de história registrada, fica evidente a grande extensão dos patrimônios histórico-culturais do país, porém cada vez mais são explicitados problemas sobre sua preservação, que se originam principalmente no caráter desvalorizador da sociedade brasileira sobre sua própria cultura e a negligência do Estado.
É relevante pontuar que a sociedade brasileira foi construída majoritariamente por uma dinâmica eurocêntrica e desprezando a cultura de etnias minoritárias. Um exemplo disso é o descaso centenário com populações indígenas. Estima-se que antes da chegada dos potugueses eram falados no Brasil entre 600 e 1000 idiomas, desse montante restaram apenas 154 de acordo com a linguista Luciana Storto, e isso tende a piorar com as sucessivas tentativas de assimilação desses povos ao contexto urbano e globalizado junto às constantes invasões de garimpeiros e madeireiros em territórios originais desses povos, e o não reconhecimento do Estado dessas línguas enquanto oficiais.
Outro problema, que pode estar intimamente ligado ao anterior, é a negligência do Estado sobre a importância de patrimônios histórico-culturais, o que leva a poucos investimentos no setor, o que desencadeou tragédias para a sociedade, como os incêndios no Museu Nacional, Museu da Língua Portuguesa, Museu de História Natural e Instituto Butantan, gerando uma perda imensurável de patrimonios materias de varios tipos.
Portanto, é necessário que todos os três poderes reconheçam a importância da cultura, garantindo efetivamente a proteção de povos minoritários e suas culturas e a demarcação de territorios indígenas e quilombolas, essencial para manutenção do seu modo de vida. E concomitante a isso, é necessário um esforço conjunto entre os Ministérios da Cultura, da Educação, da Economia, e das Comunicações, para investir na preservação de patrimonios histórico-culturais, e estimular a educação patrimonial através das escolas e dos meios de comunicação, mostrando a importância destes, e como influenciam na formação da identidade brasileira, afinal, como disse Bob Marley, “Um povo sem conhecimento, saliência de seu passado histórico, origem, e cultura é como uma árvore sem raízes”.