Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 24/03/2021
Em 2019, a festa de Iemanjá e dos Pretos Velhos, em Belo Horizonte, foi reconhecida como patrimônio cultural imaterial da cidade. Em contrapartida, no mesmo ano, foi extinto o Ministério da Cultura, órgão responsável pela preservação dos bens patrimoniais do país e da educaçao patrimonial. Isso mostra o descaso com que o poder público federal trata a questão do patrimônio histórico cultural do Brasil.
Nessa conjuntura, faz-se necessária a defesa da preservação do patrimônio cultural brasileiro, pois, em caso contrário, ocorre o chamado epistemicídio. Esse termo, cunhado pelo sociólogo Boaventura de Souza Santos, se refere ao ato de aniquilar conhecimentos e saberes de culturas de povos não brancos. Ou seja, quando não se preserva o patrimônio do Brasil, principalmente o imaterial, o prejuízo decai sobre os grupos minóritários já tão marginalizados no país, como os negros e os povos originários. Tal fato faz com que seja preciso um reconhecimento imediato dos bens patrimoniais que a nação possui, e esses são muitos, assim como foi o caso da festa de Iemanjá, em Belo Horizonte. Para tanto, seria mais adequado se houvesse um ministério do governo deidcado a isso.
No entanto, apesar da importância da preservação nas manifestações culturais, o governo brasileiro, tampouco os cidadãos, dão a devida importância ao assunto. Um exemplo de tal descaso foram os incêndios ocorridos no Museu Nacional e no Museu da Língua Portuguesa há alguns anos, o que demosntra a falta de cuidado com a segurança das instituições de tamanha importância. Para além da falta de investimento estatal nos centros de preservação, outro falto que acentua o problema é a ignorância da população acerva da relevância do patrimônio brasileiro. Por exemplo, após os incêndios era comum ver nas redes sociais comentários do tipo: “museu não serve pra nada”. Tal fato faz com que seja urgente a inserção da educação patrimonial, processo de trabalho educacional centrado no patrimônio histórico, nos currículos do ensino básico do Brasil.
Logo, em vista dos argumentos defendidos, fica evidente a necessidade de se alterar a realidade vigente, na qual não se valoriza a preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro. Assim sendo, uma medica eficaz seria a criação de uma meta de reconhecimento de manifestações culturais como patrimônio, a partir da criação de uma lei, pela Câmara dos Deputados. Isso, aliado a implementação de educação patrimonial na base comum curricular, e da reativação do Ministério da Cultura, teria como finalidade a valorização da tão vasta cultura brasileira.