Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 17/05/2021

O poeta Carlos Drummond de Andrade, no poema “No Meio do Caminho”, narra o momento inesquecível e angustiante do eu lírico ao lidar com uma pedra, a qual impedia seu percurso. Fora do contexto poético, o povo brasileiro também encontra-se diante de um grande obstáculo: a falta de preservação do patrimônio histórico cultural. Essa problemática persiste devido à escassez de investimentos no setor educacional e financeiro.

Em primeiro lugar, é válido destacar que a escassez de projetos educacionais corroboram para a desvalorização do patrimônio histórico cultural nacional. A respeito disso, o sociólogo Emille Durkheim disserta como a educação, a qual promove costumes, comporta-se como fator sociológico, posto que é um aparelho de coesão social. Entretanto, esse componente coletivo não é usado de forma positiva pelo Estado, uma vez que não educa parcela suficiente da população brasileira para valorizar os bens materiais e imateriais, o que acarreta em atitudes individuais desrespeitosas. A exemplo disso, é observado os inúmeros atos de vandalismo como pichações em prédios e monumentos históricos, os quais refletem a falta de educação sobre a importância da preservação do patrimônio material.

Em segundo plano, é preciso pontuar que a falta de investimento financeiro destinado à manutenção dos bens históricos e culturais, configura-se como empecilho para o pogresso brasiliense. Sobre isso, o sociólogo Louis Althusser, em sua tese marxista, afirma que os mecanismos estatais e privados são utilizados por uma elite minoritária com fins excludentes, visto que usam tais aparelhos somente para benefício de sua própria classe. Essa tese sociológica, infelizmente, torna-se real no plano brasileiro, uma vez que a classe dominante usa os meios monetários para atingir interesses pessoais, o que coloca em segundo plano a valorização histórica da população subordinada. Isso é notório, posto que vários museus foram perdidos por falta de investimentos e desvios da elite política e social, como o Museu Nacional do Rio de Janeiro, o que gera desconexão do povo de sua história e perda do patrimônio.

Diante dos fatos supracitados, medidas interventivas são necessárias. Para tanto, é necessário que o Poder Executivo, destine verbas para projetos, os quais conscientizem a população do valor da preservação do patrimônio histórico e cultural,  por meio de palestras e feiras culturais à distância, a fim de reeducar a sociedade em valores e atitudes respeitosas.  Além disso, é preciso que o Poder Legislativo aplique sanções mais severas aos grupos que desviam verba pertencentes à preservação dos bens materiais para interesses elitistas, e reconduza tais recursos para seu projeto original. Dessa forma, o Brasil conseguirá remover a pedra a qual impedia o caminho rumo ao avanço.