Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 17/06/2021
A Constituição federal de 1988 delega ao Estado a responsabilidade de prover aos cidadãos o acesso à cultura e lazer. Entretanto, o incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro em 2018 demonstra a negligência governamental para com o patrimônio histórico cultural brasileiro. Tal descaso resulta de múltiplos fatores, dentre eles há a desvalorização dos acervos culturais, o que resulta em cidadãos omissos que não reivindicam a proteção desses ambientes. Portanto, urge o aprimoramento do comportamento social de governados e governantes.
Em um primeiro momento, é imperativo abordar a elitização do legado histórico como alienadora dos brasileiros. O geógrafo Milton Santos observou que o processo de urbanização provocou a marginalização espacial de grande parte da população, uma vez que indivíduos da classe baixa residem afastados dos grandes centros onde estão localizados os museus e as bibliotecas — guardiões desses bens. Consoante a estrutura excludente das cidades, os centros educacionais são inertes para com o problema abordado, pois não proporcionam atividades que contestem a ordem vigente. Desse modo, nota-se que não há valorização dos objetos constituintes da identidade cultural do país se o público que os contempla for numericamente limitado.
Sob esse viés, parte expressiva da sociedade desconhece os tesouros de sua cultura como bens a serem resguardados. À vista disso, não há pressão popular que condene os cortes das verbas direcionadas ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, como ocorreu em 2019 — apenas um ano depois da tragédia no Rio de Janeiro. Sendo assim, a alienação das pessoas constitui-se como um forte aliado de gestores públicos irresponsáveis que, progressivamente, abandonam aos desgastes do tempo as heranças da nação brasileira.
Diante do exposto, conclui-se que para sanar a apatia dos indivíduos frente à destruição desses legados, cabe ao Ministério da Educação — por intermédio de uma campanha nacional em escolas públicas — viabilizar palestras com historiadores e museólogos, bem como realizar visitas aos diferentes acervos, para que vivenciar tais experiências na infância resulte em adultos conscientes da riqueza educacional dessas obras e capazes de se organizar politicamente contra novas propostas de redução orçamentária em órgãos responsáveis pela manutenção do espólio cultural. Com tais medidas, as mudanças esperadas serão concebidas com êxito.