Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 01/07/2021
O sociólogo Émille Durkheim definiu a sociedade como um organismo biológico cuja parte em disfunção pode causar o colapso de todo o sistema. Sob tal ótica, é notório que a degradação do patrimônio histórico e cultural brasileiro, sobretudo nos dias atuais, constitui um pilar defeituoso do corpo social que poderá trazer caos a todo o país futuramente. Isso se explica não só pela falta de investimento na manutenção de patrimônios históricos, mas também pela despreocupação em se adotar medidas protecionistas em relação à cultura. Assim, torna-se essencial a análise de tais fatores.
A princípio, é imperioso destacar que o tema em questão é fruto da carência de verba destinada à preservação de patrimônios históricos brasileiros. Segundo pesquisas de 2018 do Banco Interamericano de Desenvolvimento, o Brasil tem o menor investimento público na manutenção da infraestrutura entre 21 países da América Latina e do Caribe. Diante desse dado, percebe-se que o Estado não cumpre seu papel social (o qual é descrito na Constituição de 1988) ao não proporcionar os devidos recursos para manter a boa infraestrutura de museus e de centros históricos. Consequentemente, com o passar dos anos, monumentos importantes e obras antigas acabam se perdendo e, com elas, grande parte da história brasileira. Logo, é fulcral a alteração desse quadro.
Ademais, a problemática supracitada deriva ainda da falta de medidas protecionistas para com o legado cultural do país. De acordo com dados de 2018 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, apenas 0,21% das despesas públicas são destinadas a esse setor. Desse modo, com a falta de investimento no estímulo à cultura brasileira e em sua preservação, a cultura de massa, proveniente de países hegemônicos, é inserida ao país gradativamente. Em virtude disso, com a homogeneização da população, dos hábitos e dos costumes brasileiros segundo os padrões impostos por essas potências mundiais, a tendência é que a brasilidade seja perdida à longo prazo.
Portanto, de modo a resguardar o patrimônio histórico e cultural brasileiro, medidas exequíveis devem ser tomadas por órgãos de autoridade. Primeiramente, cabe ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, em parceria com o Ministério da Cidadania, investir mais verba na manutenção dos patrimônios históricos nacionais. Isso deve ser feito por meio da criação de planos econômicos voltados para a administração de museus e de centros históricos - os quais devem contemplar financeiramente os desafios reais de manter a infraestrutura específica de cada um desses locais - para que o Brasil não perca esses bens tão preciosos da sua identidade. Além disso, os agentes citados devem também investir recursos no desenvolvimento e na manutenção da cultura nacional a fim de que a tão preciosa brasilidade não se perca com o passar dos anos.