Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 27/10/2021

No estimado livro “A Marca de Atena”, escrito por Rick Riordan, a trama do enredo é baseada na busca pelo monumento da Atena Partenos — uma escultura grega do século V a.C. — que, segundo os gregos, irradiava grande poder espiritual para a sociedade mediterrânea e fora deturpada pelos romanos durante a Guerra de Troia. Fora da ficção, no Brasil, a preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro é ínfimo para a nação e a degradação sociocultural é, irrefutavelmente, fomentada tanto pela insciência do legado histórico, quanto pela desvalorização do patrimônio público.

Antes de mais, é sensato pontuar a falta de conhecimento histórico da Terra do Pau-Brasil como o principal motivo do colapso da estrutura sociocultural do país. Nesse ínterim, segundo a Constituição brasileira de 1988, todos têm o direito do acesso à cultura nacional. Entretanto, esse direito é violado na medida que o conhecimento público da história sociocultural de patrimônios arquitetônicos, culinários, dentre outros, é apagado, na prática, da Carta Magna. Nesse contexto, o legado histórico da nação brasileira deve ser melhor difundido entre a população e o Estado para elevar a ciência da herança histórica deixada pelos antepassados.

Outrossim, é notório que a desvalorização do patrimônio público material ou imaterial do país está intimamente ligada com ações displicentes do Estado brasileiro. Sob esse prisma, o jornal Correio Braziliense noticiou, em 2018, o trágico incêndio no Museu Nacional causado por falhas internas, devido à falta de verbas para manutenção de preservação arquitetônica. Nesse sentido, no artigo supracitado, a jornalista elucida, de modo real e caótico, as perdas inestimáveis da história de mais de 200 anos e explica o impacto cultural dessa catástrofe. Sob esse viés, é inegável a banalização de patrimônios públicos pelo Estado, que minimiza a história e seus trajetos sociais na sociedade, e a responsabilidade do Poder Executivo na perda de itens históricos do Museu Nacional.

Depreende-se, portanto, que ações devem ser delegadas com o propósito de legitimar o conhecimento geral da cultura nacional, estadual e municipal. Para tanto, é dever do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) — cuja função social é proteger e divulgar os patrimônios públicos — conscientizar a população da história das estruturas herdadas historicamente. Por meio de um programa, intitulado de Projeto Nossa Cultura (PNC), será possível ministrar estudos guiados por todo o país e, em sinergia com profissionais locais em sociocultura, informar e questionar os valores morais do patrimônio de cada cidade e município. Dessarte, somente assim, o Brasil se desenvolverá culturalmente e, assim como a personagem Annabeth no livro “A Marca de Atena”, diluir o conhecimento da importância moral e social de preservar bens históricos.