Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 12/08/2021
O sociólogo Gilberto Freyre, na sua obra ‘‘Casa Grande e Senzala’’, demonstra que a diversidade étnico-cultura brasileira é fruto da contribuição das matrizes indígenas, europeias e africanas e se manifesta no patrimônio material e imaterial. De maneira análoga, na contemporaneidade, a desvalorização desses recursos acentua a perda da identidade nacional, haja vista que a negligência governamental, juntamente com a desinformação populacional contribuem para a perda da perpetuação de costumes e tradições e, também, de obras e monumentos que tem valor histórico na formação do brasil. Sob tal ótica, essa problemática presente na sociedade hodierna deve ser minimizada, desde que seja efetivo a valorização desses recursos pelo governo e sociedade.
É necessário analisar, em primeiro plano, que a falta de verbas para manter a continuidade do patrimônio material intensifica a degradação dos locais que na teoria deveriam preservar a identidade do país, como as igrejas e os museus. Nesse sentido, é importante pontuar que apesar de previsto na Constituição de 1988,no artigo 216,o valor do patrimônio material, bem como do imaterial para a memória dos diferentes grupos que formam a sociedade não são transmitidos para a população,pois essa legislação não é amplamente respeitada, visto que a deteriorização desses espaços diminui o interesse por parte do corpo social na visitação e preservação. Além disso, essa questão contribue para a desvalorização dos elementos nacionais e supervalorização de bens e espaços estrangeiros, sendo profícuo maior direcionamento de gestores públicos nessa questão.
Cabe mencionar, em segundo plano, que o desconhecimento populacional sobre a amplitude cultural é um impasse que intensifica a perda de costumes, danças e culinária. A respeito disso, o preconceito enraizado na sociedade corrobora para a perda da cultura de povos que fazem parte da história do brasil e são elementos importantes para à valorização e manutenção da identidade que se encontra ameaçada. Ademais, a preservação histórico cultural deve ser compartilhada entre governo e sociedade para investir no patrimônio material e imaterial e, consequentemente, estimular a tolerância e conhecimento da diversidade, mitigando a indiferença desses formadores sociais.
Torna-se evidente, portanto, que é imperiosa a tomada de medidas atenuantes ao entrave abordado. Em vista disso, cabe ao Estado, mediante o redirecionamento de verbas realizar campanhas de divulgação, com informações sobre a importância do patrimônio e a sua relação com a identidade do país,a fim de formar um público interessado na visitação desses locais. Em paralelo, o Ministério da Educação deve, por meio das disciplinas de história, arte e literatura abordar o tema em sala, com vistas a explicitar o assunto da diversidade cultural,a fim de erradicar o preconceito do patrimônio imaterial.