Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 16/08/2021

A filósofa Hannah Arendt defende que o espaço público deve ser preservado para seja assegurada as condições de cidadania e  identidade.No entanto, percebe-se que, no Brasil, a tese da intelectual destoa da realidade deficitária de preservação do patrimônio histórico e cultural, haja vista a constante desvalorização que esse bem sofre, apesar da sua relevância para a caracterização particular do país. Nesse sentido, em virtude da insuficiência de ações estatais e da lacuna educacional, emerge um problema coletivo, que precisa ser mitigado.

Em primeiro plano, a falta de políticas públicas efetivas é uma causa latente dessa questão.A esse respeito, o filósofo Jonh Locke afirma que “As leis fizeram-se para os homens e não para as leis” para justificar a necessidade de intervenção do Estado. Nessa lógica, verifica-se que, em parte, a carência de preservação do patrimônio cultural da nação é um reflexo da banalização normativa, tendo em vista a importância das políticas nacionais na promoção de reconhecimento e valorização da história e identidade de seu povo. Diante disso, essa conjuntura de descaso é observada, seja pela insuficiência de investimento financeiro na construção e manutenção de museus e estruturas culturais, como monumentos e estátuas, seja pela falta de fiscalização ampla do legado histórico exposto nas cidades, sendo sujeito a violações e destruições, o que demonstra a inoperância estatal presente nesse quadro.

Além disso, a formação educacional prejudicada também contorna a problemática. Nesse contexto, o teólogo Rubem Alves alega que as escolas podem ser comparadas a asas ou a gaiolas, pois podem promover liberdade ou incompreensão. Sob essa análise, a visão de não pertencimento à cultura nacional e, consequentemente, indiferença em relação ao patrimônio histórico é moldada, muitas vezes, pelas escolas que não visam formar indivíduos que entendam a importância das suas particularidades históricas e heranças culturais, de forma a contribuir com a realidade de descaso vigente. Nessa perspectiva, os colégios necessitam integrar o cidadão no contexto de sua história, realizando desde a educação básica, por exemplo, palestras e debates acerca da representatividade brasileira nos legados culturais, bem como visitas em locais de herança coletiva para obter um indivíduo mais esclarecido.

Portanto, torna-se fulcral uma resolução. Posto isso, cabe ao Ministério da Cidadania formular uma disciplina específica que trabalhe com a valorização do patrimônio brasileiro, por meio da implementação dessas aulas na Base Nacional Comum Curricular, com a finalidade de promover um cidadão que valorize seus bens nacionais. Ademais, detalha-se que nessa disciplina exista ações que estimulem o raciocínio e o pertencimento do cidadão, como discussões com a comunidade local da escola. Logo, o postulado por Arendt, possivelmente, será ser visualizado no Brasil.