Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 05/09/2021

Em um de seus contos, Machado de Assis afirma que, por intermédio do diálogo e da divulgação de ideias, é possível fazer um livro, um governo ou uma revolução. Fora das páginas, a ideologia do autor mostra-se plausível quando se percebe que o debate sobre a preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro é imprescindível para combater os desafios atrelados a mesma. Nesse sentido, a inoperância estatal e a falta de conhecimento social se enquadram como principais empecilhos de tal conservação.

Em primeiro lugar, faz-se importante salientar que há um grande descaso governamental frente à manutenção de edifícios históricos no país. Desse modo, pode-se citar o livro “O Cidadão de Papel”, de Gilberto Dimenstein, no qual o autor afirma que os direitos constitucionais residem apenas na teoria. Nessa perspectiva, a tese do autor torna-se verídica quando a Constituição Brasileira é analisada e nota-se que tal negligência estatal fere o Artigo 216, o qual garante a proteção patrimonial. Sendo assim, é necessário que o governo cumpra com o previsto na legislação e passe a gerir as verbas de maneira mais eficiente para que a dignidade cultural da população não seja afetada.

Ademais, é preciso pontuar que a vandalização de patrimônios pode ocorrer pela falta da difusão de informações sobre sua importância. Concomitantemente, é possível fazer um paralelo com um dos episódios da animação japonesa “Naruto”, no qual o protagonista picha um dos monumentos mais consagrados de sua aldeia por não conhecer sua relevância. Dessa maneira, assim como o personagem do seriado, várias pessoas não estão cientes da necessidade de preservar acervos que remetem à riqueza histórica do Brasil e não conseguem compreender que tais atos vândalos ameaçam a memória identitária do país.

Portanto, urge que a mídia, grande difusora de informação e principal veículo formador de opinião, por meio de uma parceria com o Ministério da Educação, inicie campanhas nas redes sociais a fim de que a população se conscientize sobre a importância de preservar o patrimônio nacional. Além disso, cabem às empresas privadas, em parceria com o Governo Federal, apoiar juridicamente e financeiramente tais instituições e profissionalizar sua gestão. Somente assim, a revolução idealizada por Machado de Assis ocorrerá.