Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 10/09/2021
Na música “Comida”, os Titãs criticam o Estado do século XX, o qual preocupava-se apenas com os direitos básicos, como a alimentação, a educação e a saúde, e não garantia o acesso ao entretenimento, à arte e à cultura. Por analogia, a atual desvalorização dos museus tanto na esfera estatal, com o baixo investimento nessa instituição, quanto na municipal, com a concentração dos museus nas grandes metrópoles, mostra que o descaso supracitado ainda persiste no governo vigente. Nessa conjuntura, é imprescindível postular a importância dos acervos no processo educacional e o atual desrespeito com o patrimônio e com a identidade brasileira.
Precipuamente, é nítido que os museus, embora ajudem a materializar o conhecimento a favor dos estudantes e das escolas, contribuem com a manutenção da desigualdade social graças à sua ausência em regiões mais pobres. Sob esse viés, Pierre Bourdiel, filósofo francês, cria o conceito de “capital cultural”, isto é, quando a cultura, arte, museus ou shows, são restritos, por questões financeiras, às elites, as quais as usam para aumentar o seu “status” social. Com efeito, isso ocorre devido a instauração de museus em áreas ricas para o público com maior poder aquisitivo, logo, limita os benefícios didáticos a uma pequena parcela dos alunos. Por conseguinte, depreende-se que os municípios subestimam a riqueza educacional dos museus ao não tratá-lo como prioridade.
Ademais, o sucateamento e o abandono governamental dificultam a preservação da identidade cultural brasileira. Em consonância com dados da Folha de São Paulo, houve uma diminuição de 361 milhões de reais, entre 2016 e 2018, no orçamento do Museu Nacional. Nesse cenário, é indubitável que a escassez de investimento nesse setor atinge a infraestrutura, a qualidade do serviço e a segurança, além de facilitar a ocorrência de acidentes, tais como os incêndios que ocorreram, em 2018, no museu mencionado e em outros acervos culturais e científicos. Assim, observa-se que a desvalorização desses locais prejudica não só o alcance do patrimônio cultural, mas também a preservação da identidade brasileira, visto que existe a possibilidade dessa cultura se perder para sempre.
Infere-se, portanto, que o Estado do século XXI deve proporcionar aos civis mais do que os direitos básicos como foi requerido pelos Titãs, para tanto a Câmara Legislativa deve, por meio da criação de um projeto de valorização, criar museus públicos pelo interior do Brasil, gratuitos e com objetos de valor nacional e local para reforçar a diversidade regional brasileira. Outrossim, esse mesmo projeto deverá instituir um valor fixo de subsídios destinados pelo Estado, o qual não poderá ser modificado com crises econômicas ou com mudanças administrativas. Dessarte, espera-se sancionar a desigualdade e valorizar a riqueza cultural brasileira por meio dos museus, da educação e das pesquisas.