Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 11/09/2021

Após o assassinato de George Floyd, em maio de 2020, uma onda de protestos antirracistas se espalhou pelo mundo, nos quais monumentos históricos foram queimados. Apesar da legitimidade dos atos, a destruição de tais objetos representa um risco à identidade e ao estudo da história de determinadas regiões. Cabe, portanto, analisar de que modo a ressignificação do passado pode ser feita, a fim de dar lugar a percepções contemporâneas da realidade, preservando, paralelamente, a história local.

Inicialmente, é importante abordar a razão pela qual algumas obras estão sendo danificadas. Para isso, relaciona-se o conceito de “Violência Simbólica”, de Pierre Bordieu, que se refere a um tipo de agressão não física ou verbal, em que valores culturais de um grupo dominante são impostos a minorias sociais. Sob essa ótica, a destruição de monumentos antigos ligados a escravocratas, por exemplo, é uma resposta de alguns grupos que se sentem violentados pela exposição dessas homenagens, tendo em vista o passado racista e violento do país.

No entanto, não se pode desconsiderar o papel do patrimônio na construção da memória regional. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a importância desses bens está no estudo da história e na construção identitária da sociedade, já que refletem a visão de realidade que se tinha, no passado, e que contribuiu para a formação social vigente. Assim, a preservação desses objetos é imprescindível, ao mesmo tempo que deve ser dado espaço a novas perspectivas, respeitando a identidade daqueles que se sentem atingidos.

Evidencia-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para solucionar essa mazela no Brasil. Para isso, o governo federal, por meio do IPHAN, deve criar projetos visando a realocação de monumentos históricos, possivelmente ofensivos, para museus ou exposições de história local, a fim de dar espaço para novas obras que exaltem perspectivas mais atuais e inclusivas. Desse modo, o patrimônio histórico e cultural estará protegido e menos pessoas terão suas identidades violentadas.