Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 03/10/2021

A célebre obra cinematográfica “Bacurau” aborda uma mensagem sobre resistência e valorização da cultura. No filme, um dos cenários mais importantes é o museu da pequena cidade fictícia, o qual é bem valorizado e símbolo do orgulho e do legado dos habitantes. De forma antagônica, o panorama brasileiro enfrenta vários obstáculos na valorização e na preservação do patrimônio histórico cultural. Destarte, cabe citar como tais impasses tanto a negligência do Estado quanto depreciação da identidade nacional.

Nessa conjuntura, é de caráter basilar a menção do Artigo 216 da Constituição Federal, que estabelece como dever do poder público a proteção do patrimônio cultural do Brasil. Contudo, tal diretriz não se concretiza na realidade, haja vista a leniência do governo em estabelecer políticas e verbas para a manutenção da memória e identidade brasileira. Sob esse prisma, é possível citar como exemplos desse contexto: os incêndios do Museu de Língua Portuguesa e da Cinemateca Brasileira. Esses eventos são decorrentes do precário investimento e valorização da cultura pelo Estado e traz como consequência uma severa perda intelectual e identitária para  a sociedade.

Outrossim, é relevante analisar a desvalorização da identidade nacional como causa promotora do descaso da coletividade em relação ao patrimônio histórico do país. Nesse sentido, segundo o autor Nelson Rodrigues, existe um complexo de vira-lata que permeia a mentalidade social brasileira e promove a inferiorização voluntária da própria cultura em relação às estrangeiras. Dessa forma, é perceptível que esse complexo origina uma sociedade passiva com seu patrimônio cultural, o que promove o abandono de museus e a depreciação das diversas formas de artes e eventos regionais. Assim, é notável que sem o interesse coletivo a memória e identidade nacional são relegadas à negligência, uma vez que não há força social para reividicar pela sua manutenção.

Destarte, é necessário que o governo federal crie políticas robustas e direcione mais verbas para a proteção dos diversos patrimônios históricos e culturais da nação. Ainda, é importante que o Ministério da Educação promova nas escolas o letramento cultural, que deve abordar a valorização da cultura e identidade brasileira. Isso deve ocorrer por meio de aulas direcionadas para esse assunto nas matérias de História, Geografia e Sociologia, além de projetos artísticos engajadores - haja vista a necessidade de tanto contemplar o patrimônio histórico cultural pelo viés da ciência quanto pelo caráter catártico da arte. Tal medida tem a finalidade de construir uma nova ética de valorização da cultura e memória brasileira na sociedade, a exemplo daquela existente nos cidadãos de Bacurau, e, assim, promover a preservação do patrimônio histórico cultural da nação.