Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 20/09/2021
No filme Coco, é revelado o “mundo dos mortos” - patrimônio histórico imaterial da cultura mexicana. Ao longo da trama, o personagem principal explora esse mundo em busca de suas origens. Assim, a narrativa revela como o protagonista se orgulha de sua história e de sua cultura, primordiais em seu desenvolvimento como cidadão. Fora da ficção, é fato que a preservação do patrimônio sociocultural é vital para a formação da identidade nacional e a preservação da memória brasileira.
Sob esse viés, o contato com os patrimônios históricos é essencial para a construção da cultura nativa, já que levam informação e diferentes perspectivas para os indivíduos. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Dessa forma, os patrimônios históricos possuem grande valor para a cultura e educação brasileira, pois mantêm a memória coletiva viva ao rememorar o passado e a cultura local através de monumentos, estátuas, construções, etc. Dessa maneira, ao revisitar as origens do país, a fim de não limitar a visão da população, os monumentos, de modo geral, devem refletir os valores da comunidade, visto que patrimônios negativos podem impedir que o indivíduo se conecte e entenda seu passado.
Aliado a isso, é necessário lembrar que a preservação do patrimônio histórico cultural deve ser feita de maneira responsável, com o propósito de expandir a perspectiva da população e valorizar a memória nacional. Desse modo, deve ser revisto o modo que figuras autoritárias são destacadas na história do país, já que existem inúmeras estátuas de personalidades opressoras em evidência, como a de Borba Gato, bandeirante responsável pela morte e escravização de indígenas. Assim sendo, essas obras restringem a percepção da realidade e memória do país. Para relembrar o passado de forma ética devemos destacar a narrativa dos povos oprimidos. A título de exemplo, na Alemanha, o Museu do Holocausto mantém viva a memória das vítimas do genocídio, ao mesmo tempo que denuncia crimes históricos, sem colocar os agressores em destaque.
Portanto, tendo em vista a necessidade de preservar o patrimônio ligado à visão dos que foram oprimidos, é necessário que o Ministério da Cultura substitua as estátuas e os monumentos controversos, por meio de consultoria com os profissionais da área, como historiadores e antropólogos, para que a história do país seja retratada de forma realística e respeitosa. Só assim, assim como o protagonista de Coco, poderemos nos orgulhar de nossa cultura.