Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 22/09/2021
Dilma Rousseff, ex-presidente do Brasil, enunciou, durante seu discurso de defesa no processo de impeachment, que todos os indivíduos serão julgados pela história. Dentro dessa perspectiva, a alusão proferida por Dilma relaciona o dinamismo da história e o antagonismo que os mesmos personagens podem interpretar em diferentes épocas. Dessa forma, a preservação do patrimônio brasileiro encontra um viés, já que, por um lado, há a negligência do governo federal na manutenção das estruturas públicas, e, por outro, há o vandalismo consciente contra personalidades históricas que feriram a construção da identidade nacional brasileira.
Primeiramente, é importante compreender a omissão do Estado frente às questões de preservação cultural, visto que o fomento público destinado à manutenção do patrimônio brasileiro é insuficiente. Destarte, a falta de recurso contribui diretamente para o panorama do século XXI, onde obras com valor inestimável sofrem diante das ruínas do fogo, como ocorreu em 2018, no Museu Nacional. Ademais, associadamente ao descaso das autoridades com a problemática, o Brasil também carece de tecnologias para a proteção das obras tombadas, realidade díspare dos museus ao redor do mundo, que contam com sistemas de ventilação e infraestrutura especializadas para impedir o alastramento do fogo, como é o caso do Museu Getty, nos Estados Unidos da América.
Entretanto, é necessário avaliar a preservação do patrimônio nacional por outro prisma. Consoante a esse ponto, não foram raros os episódios de destruição de símbolos de personagens históricos durante manifestações populares, como é o caso da estátua do bandeirante Borba Gato, elemento relacionado ao genocídio indígena no Brasil. Dentro desse contexto, o cenário empregado se torna oblíquo, visto que a proteção dessas estruturas vai na contramão do respeito à própria história e composição da sociedade brasileira. Diante dessa temática, discussões a respeito da continuidade da representação dessas figuras como heróis, homenageados em estátuas, se tornam presentes dentro da população brasileira.
Por fim, a complexidade da questão da preservação do legado cultural apresenta um importante desafio para o Governo Federal. Portanto, cabe à Secretária da Cultura, atuar na implementação de novas tecnologias, por meio da requisição de maiores investimentos perante ao Estado, com o objetivo de prevenir a ocorrência de futuros incêndios. Dessa forma, a veracidade da história brasileira, impressa em livros e quadros, será preservada com devida segurança. Assim, as gerações futuras poderão ter acesso aos imensuráveis documentos históricos, e, dessa maneira, julgarão individualmente os representantes da própria história, como Dilma Rousseff previu.