Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 27/09/2021

Durante a fase nacionalista do Romantismo, os artistas buscavam retratar em suas obras elementos que exaltavam o território brasileiro, o que representava uma forte identidade nacional. Entretanto, no Brasil hodierno, esse enaltecimento dos elementos culturais e históricos não se concretiza efetivamente, haja vista a negligência governamental e o desconhecimento popular acerca do acervo pátrio. Assim, fica evidente que discutir essas problemáticas é essencial à preservação do patrimônio.

De início, é fundamental ressaltar que o descaso estatal é um obstáculo à valorização do conjunto do acervo histórico-cultural brasileiro. Isso pode ser exemplificado na extinção do Ministério da Cultura e sua consequente nomeação como Secretaria pelo presidente Jair Bolsonaro em 2019. Nesse contexto, tal ato significa uma menor destinação de verbas e, por conseguinte, revela o desinteresse governamental de preservar a memória e a identidade brasileira. Desse modo, essa displicência pode ser considerada uma violência simbólica, conceito teorizado pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu, uma vez que é um ato sem a coação física mas que causa sérios danos ao acervo brasileiro. À luz dessa perspectiva, torna-se claro que combater esse comportamento negligente do Estado é mister.

Outrossim, é pertinente também destacar que a ignorância dos indivíduos acerca do patrimônio dificulta a sua conservação. Isso porque muitos cidadãos não sabem a diferença entre bens materiais e imateriais, o que ocasiona uma indiferença quando elementos da história e da cultura do Brasil são destruídos, como o que aconteceu no incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro em 2018. Esse comportamento de omissão vai de encontro ao pensamento do filósofo alemão Hans Jonas, já que suas ideias incluíam o “princípio da responsabilidade”, em que os indivíduos são responsáveis pela manutenção do acervo cultural, natural e histórico da sociedade, com o objetivo de assegurar o futuro das próximas gerações, o que não acontece na realidade. Sob essa ótica, é inegável que a indiferença da população é danosa e deve ser combatida.

Em face do exposto, portanto, medidas são cruciais para promover uma maior valorização e preservação do patrimônio. Logo, compete às organizações não governamentais culturais pressionar o governo, mediante manifestações, exigindo fundos adequados à manutenção de espaços físicos simbólicos, a fim de proteger esses locais históricos. Ademais, cabe à Secretaria de Cultura, por meio de campanhas propagadas nos veículos midiáticos, como a televisão e o rádio, tornar conhecido ao público informações sobre o acervo do Brasil, por exemplo, a localização de museus e a contribuição para a perpetuação da identidade nacional, com o fito de gerar a consciência popular acerca do patrimônio e, dessa maneira, provocar uma adesão a visitas nesses locais e sua apreciação.