Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 30/09/2021
Em uma tirinha de Alexandre Beck, o seu personagem Armandinho, após ouvir a explicação do pai sobre o que é tombar um patrimônio, relata que quando ele tomba alguma coisa, ela geralmente quebra. Assim como Armandinho, muitas crianças confundem os sentidos da palavra “tombar”, pois não entendem a importância dos patrimônios nacionais. Da mesma forma que as crianças, muitos adultos também não sabem quão importante são os bens históricos e, principalmente, sua preservação. Isso ocorre devido à falta de divulgação dos patrimônios nacionais e o baixo investimento neles.
Primeiramente, é necessário analisar que o incentivo às visitações de lugares que carregam a história brasileira é baixo. Grande parte da população não tem conhecimento acerca da quantidade de museus e bibliotecas espalhados pelo Brasil. Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), há, atualmente, 3 793 museus em funcionamento; já o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP) divulgou os dados que existem mais de 7 mil bibliotecas públicas municipais, distritais, estaduais e federais. Em 2018, o número de visitas a 40 museus brasileiros foi de aproximadamente 1,71 milhão, sendo 30% turistas. Isso significa que poucos brasileiros são incentivados a visitar lugares importantes historicamente.
Em segundo lugar, vale ressaltar a falta de investimento na preservação da história nacional. Segundo uma pesquisa realizada pelo Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (SALIC), no prazo de 2011 a 2018 os incentivos fiscais à cultura apresentaram uma queda de 2,3% na Lei Rouanet. Isso ocorre pois a preservação do patrimônio histórico nacional brasileiro não é um tema tratado como prioridade. Em setembro de 2018, o Museu Nacional, localizado no Rio de Janeiro, foi incendiado e perdeu significativa parte de seu acervo. Três anos após a tragédia, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) pede doações para a reconstrução da instituição, pois os investimentos governamentais não são suficientes.
Conclui-se, portanto, que, para a preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro, cabe ao Ministério da Educação criar políticas públicas de incentivo à proteção dos acervos culturais do Brasil e divulgá-las nas mídias (redes sociais, TV e rádio), além de realizar campanhas de conscientização nas escolas sobre a importância dos bens históricos nacionais. Dessa forma, a população, além de conhecer esses lugares, começará a zelar por eles, preservando, assim, a história nacional. Ademais, cabe ao governo iniciar programas como o do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que a cada 1 real doado, o banco doará 3 reais, dependendo da região do país, para propostas de restauração, conservação ou valorização de patrimônios históricos materiais e imateriais reconhecidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).