Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 01/10/2021
Embora o termo “cultura” tenha um significado amplo, pode ser definido como um conjunto de ideais, costumes e saberes de uma nação. Nesta perspectiva, a proteção do património cultural é vital para a memória e identidade de um grupo ou país, sendo que é necessário compreender a sua importância, bem como os desafios de uma proteção eficaz, e procurar uma maior valorização da cultura.
No início do século XX, o IPHAN-Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional foi instituído para regulamentar a proteção ao patrimônio material e imaterial. Quase um século depois, o desenvolvimento do projeto evidenciou a importância dessa proteção, principalmente para proteger culturas estruturalmente oprimidas, como as africanas e indígenas, em uma realidade centrada na Europa. Em suma, é compreensível a afirmação do diretor cultural do Itaú Eduardo Saron: “Não há inovação sem proteção”, porque se constata que o conhecimento sobre a própria história é essencial.
Apesar da sua importância, é uma pena que com a construção de projetos “futuristas” e a falta de investimento em acervos culturais, a memória e o património cultural enfrentem cada vez mais desafios de manutenção. Ademais, por negligência dos órgãos governamentais responsáveis, o Museu Nacional é um dos mais importantes museus do país, e o incêndio recente tem se mostrado um dos enormes obstáculos à valorização da cultura nacional. Nesse sentido, a sociedade é fascinada pela contradição entre o futuro e o progresso contínuo, que não favorece a preservação do passado, destrói o processo de verificação da história e precisa ser revertido.
Portanto, fica evidente a urgência das ações do governo federal, desde a emissão de recursos financeiros ao Ministério da Cidadania para promover a manutenção e o investimento dos acervos culturais. Além disso, as organizações não governamentais têm a responsabilidade de cooperar com os canais de mídia, iniciar atividades para incentivar as visitas a museus e promovê-las através de anúncios na televisão e na Internet, e se esforçar para aproximar os cidadãos da cultura da antiga elite. Desse modo, tragédias como o Museu Nacional representarão apenas o passado sombrio da história do país, e não a realidade atual do Brasil.