Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 16/11/2021
Os incêndios na Cinamateca, patrimônio histórico cultural brasileiro, nos anos de 2016 e 2021, denunciaram a negligência e o abandono dos governantes e da sociedade, no que tange à preservação dos bens materiais nacionais. Em vista disso, torna-se fundamental a discussão sobre os impactos desse descaso na construção da identidade nacional e a falta de ação governamental.
Em primeira análise, convém analisar os efeitos dessas perdas patrimoniais para a formação dos indivíduos. Nessa perspectiva, a filósofa Hannah Arendt, defende que as pessoas devem ser dignas de ter acesso aos seus antepassados. Ou seja, nas narrativas, em que museus pegam fogo e histórias se esvaem, o contato com o passado é negado ao corpo social. Sendo assim, o desenvolvimento da sociedade é comprometido e o direito à pluralidade de conhecimentos não é alcançado de maneira plena.
Além disso, é importante salientar a inação estatal perante essa problemática. Nesse contexto, pode-se listar os incêndios no Instituto Butantan, no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo e, também, o ocorrido no Auditório do Memorial da América Latina como acidentes, entre tantos outros, que poderiam ter sido evitados. Uma vez que, boa parcela desses incidentes ocorreram devido a laudos ignorados. Logo, apesar da existência do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), é notória a falta de apoio e verba para cumprir o seu papel e evitar esses desastres.
Portanto, para garantir a preservação dos espaços históricos, é viável que o governo federal, destine verba e invista na contratação de mais pessoas para trabalhar no IPHAN, órgão responsável pela manutenção desses locais de memória sócio-cultural. A fim de assegurar uma melhor fiscalização, agir em interdições de locais inseguros e agilizar os processos de manutenção e restauração. Desse modo, será possível alcançar o direito de acesso ao passado, tal qual postulado por Hannah Arendt.