Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 17/11/2021
Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, destaca em sua obra uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor as situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Posterior à lógica barrosiana, faz-se preciso, valorizar também a preservação do patrimônio histórico cultural na realidade brasileira. Nesse sentido, é importante analisar a falta de investimento estatal e a falha na educação, tendo como consequência, a desvalorização patrimonial.
Primariamente, vale ressaltar que o descaso e a falta de verbas essenciais para a preservação do patrimônio é alarmante. A esse respeito, Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, desenvolveu o conceito de “instituição zumbi”, segundo o qual as instituições, dentre elas o Estado, mantêm sua forma a todo custo, mas perderam sua função social. Sob tal ótica, é irrefutável que embora a proteção do patrimônio seja um direito constitucional, ainda há carência de projetos que, de fato, cumpram com tal direito, como investimento financeiro para as manuntenções essenciais nos museus e blibliotecas. Dessarte, a escassez de verbas para a manuntenção desse legado cultural geram grandes perdas irrecuperáveis ao país. Por conseguinte, um exemplo disso foi o incêndio no Museu Nacional no Rio de Janeiro, no qual acarretou danos irreparáveis, perdendo diversas informações e itens de suma importância.
Outrossim, a falta de conhecimento sobre a importância da preservação remete a falha de educação patrimonial no país. Isso ocorre, devido a lacuna no incentivo, tanto pelas mídias como no ensino fundamental básico nas escolas. Ademais, o pensamento da filósofa Mary Midgley, exemplifica tal problemática, quando ela diz “para quem, sem uma hístória, o homem não teria uma identidade, pois é a cultura que o defide”. Com isso, a falta de discussão sobre assunto no Brasil é preocupante, o que consequentemente, grande parte da população brasileira cresce alienada em relação a importância do histórico cultural e acaba não valorizando questões importantes para a nossa sociedade. Dessa maneira, percebe-se que a careza na educação cultural e histórica precisa ser sanada.
Portanto, são essenciais medidas operantes para a reversão dessa desvalorização. Para isso, compete ao Ministério da Educação e Cultura, em consonância com o Estado, investir, por meio de verbas governamentais, projetos com intensificação do tombamento, com a finalidade de preservar e mitigar tais problemáticas recorrentes à problemática. Paralelamente, cabe também às mídias sociais, sistemas projetados para possibilitar a interação social, promover campanhas educativas sobre a conscientização e a preservação do patrimônio histórico cultural, através de mobilizações em redes sociais e por intermédio de programas telesivos com viés informativo, afim de evitar essa depreciação. Somente assim, será possível coincidir com à lógica barrosiana do poeta supracitado.