Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 08/06/2022
Na animação Encanto, a personagem Mirabel é encorajada a salvar a sua casa após perceber falhas e sinais que poderiam leva-lá a destruição. Apesar do tom lúdico do filme, a personagem reconhece a sua casa como um espaço de manter a sua ancestralidade, cultura e identidade, lutando para preserva-lá para as próximas gerações da sua família. De maneira analóga com a conjutura presente, no que se refere à preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro, tanto o Estado, quanto a populção, não possuem esse sentimento de responsabilidade e compromisso com a preservação cultural brasileira, de forma a trazer sequelas iguais ao filme supracitado.
Em primeiro lugar, é necessário ressaltar que, atualmente, o país encontra-se em um paradoxo constitucional no que tange à cultura. Consoante ao artigo 215 da Carta Magna de 1988, o acesso à cultura é um direito civil que deve ser garantido pelo Estado. Todavia, ao analisar o contexto atual dos patrimônios históricos brasileiros, percebe-se um descompromisso do Estado com a Constituição, haja vista que não há investimentos direcionados para a manutenção, preservação e acesso ao conhecimento da cultura brasileira. Assim, tal descomprometimento resulta em tragédias ocorridas como o incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro, em 2018, que teve perdas irreparáveis para a pesquisa e história brasileira.
Contudo, é importante salientar, também, que a indiferença do Estado em relação à preservação dos patrimônios históricos nacionais é um sintoma da fragilizada relação que a sociedade atual possui com a cultura. Nessa perspectiva, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman afirmava que as relações atuais são baseadas na efemerdade e interesses, sem que haja uma profundidade e conexão. Dessa forma, percebe-se uma dificuldade da população de criar uma relação sólida com a sua identidade nacional, uma vez que estão imersos em um mar de informções e tendências, nas quais estão mais interessados em seguir.