Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 28/09/2023

Consoante o filósofo George Santayana, aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo. Sob essa ótica, a sociedade que não preserva seus patrimônios histórico-culturais está fadada à estagnação. Nesse cenário, é possível dizer que a sociedade brasileira hodierna encontra-se a caminho desse fardo, impulsionada pela negligência governamental e desinformação social.

Diante desse cenário, a omissão estatal perante o desgaste de patrimônios brasileiros contribui para o apagamento cultural. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, “instituições zumbis” é um termo utilizado para simbolizar instituições que não deixaram de existir, mas não cumprem mais o seu papel social. Nessa perspectiva, é possível utilizá-lo para se referir ao Estado, ao passo que a escassez de investimentos financeiros destinados à preservação de monumentos e patrimônios nacionais causa o apagamento parcial da história e cultura do país.

Ademais, o alheamento social sobre as origens da cultura nacional proporciona a perda da identidade nacional. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Nesse contexto, é notório que a ignorância coletiva pode ser associada ao pensamento em massa, e que a ausência de um agente impulsionador que esclareça as verdadeiras origens e amplie a visão dos cidadãos condiciona a população à inércia. Dessa forma, a sociedade continua refém de padrões culturais e histórias que não condizem com a realidade.

Torna-se evidente, portanto, que a omissão governamental e a desinformação social são propulsores do apagamento histórico-cultural. Dessa maneira, cabe ao Estado - entidade de máximo Poder Executivo - incentivar organizações públicas que visem a preservação do patrimônio cultural, por meio de investimentos financeiros, a fim de preservar a identidade nacional. Além disso, convém que a mídia - instrumento de ampla abrangência - torne pauta a importância da manutenção do patrimônio cultural, por intermédio de documentários e ficções engajadas, com o fito de amenizar os impactos do apagamento cultural. Assim, é possível afastar o país do fardo previsto por George Santayana.