Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 02/11/2023

Sob a perspectiva do filósofo alemão Hans Jonas, o corpo social deve agir de maneira a garantir o bom funcionamento do meio em que vive. No entanto, esse pensamento é contraditório com a realidade brasileira, uma vez que os indivíduos não se preocupam em praticar a preservação do patrimônio cultural, o que ainda configura um grave quadro de desrespeito ao legado identitário brasileiro. Nesse sentido, os fatores contribuintes para essa querela são oriundos da inadimplência das autoridades e da falta de debates.

Sob esse viés, vale ressaltar a negligência governamental como promotora da depredação patrimonial. Entretanto, percebe-se no território nacional uma distorção da lógica de Maquiavel, visto que a máquina pública não investe em medidas concretas que visem, de fato, combater o vandalismo, como os atos de destruição a estátuas e pichação às casas histórias. Desse modo, é inadmissível a perpetuação da conduta negligente do Estado.

Ademais, é fulcral enfatizar a questão da ausência de esclarecimento como um impasse à solução do imbróglio. Conforme a brasileira Djamila Ribeiro, para combater um problema é preciso, antes de tudo, tirá-lo da invisibilidade. Sob essa lógica, faz-se necessário debater sobre os registros históricos e a importância na construção de uma identidade nacional, a fim de evitar o apagamento da memória cultural, como destaca o escritor George Orwell, na obra “1984”, em que aponta para a valorização dos patrimônios artísticos. Logo, o silenciamento precisa ser rompido para a mentalidade de proteção ser realizada.

Depreende-se, portanto, medidas exequíveis para alterar esse panorama. Para isso, é imperioso que as ONGs, em parceria como Ministério da Cultura, órgão responsável pelas políticas nacionais de cultura e artes, deverão promover palestras, oficinas e workshop nas escolas e em comunidades para deliberar sobre os registros culturais e a restauração do patrimônio artístico, com o intuito de disseminar a construção de uma postura cuidadosa e esclarecida com os bens materiais nacionais. A partir dessas ações, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, as práticas de desmantelamento e a coletividade alcançará o legado da proteção histórica.