Preservação do planeta: por que parte da população ainda não está disposta a mudar os hábitos em favor do meio ambiente?

Enviada em 06/11/2025

Na Grécia Antiga, o conceito de “Pólis” definia que um bom cidadão era aquele que participava ativamente da vida política e social, visando o bem-estar coletivo. No entanto, ao observar a realidade brasileira contemporânea, percebe-se que a indisposição de parte da população em mudar hábitos em favor do meio ambiente impede que essa cidadania plena seja alcançada. Esse cenário problemático é resultado tanto da negligência governamental em criar infraestrutura para a sustentabilidade quanto da mentalidade social focada no consumismo imediatista.

Em primeiro plano, é fundamental destacar que a resistência popular à mudança é intensificada pela negligência governamental. Segundo a Constituição Federal de 1988, em seu Artigo 225, é dever do Estado garantir o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo. Contudo, o que se vê na prática é o oposto do que a lei prega. A falta de investimento maciço em coleta seletiva universal, a baixa fiscalização de indústrias e a ausência de políticas de incentivo a energias limpas provam que o poder público não cumpre seu papel. Isso gera no cidadão a sensação de que seu esforço individual é inútil, o que perpetua a dificuldade em mudar hábitos.

Ademais, é preciso ressaltar que a mentalidade social focada no consumismo imediatista também contribui para o problema. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade contemporânea vive uma “Modernidade Líquida”, marcada pela descartabilidade e pela busca por satisfação instantânea. Nessa lógica, a preocupação de longo prazo com o planeta é ofuscada pela necessidade de consumir o “novo” agora. A cultura do “usar e jogar fora”, impulsionada pelo marketing e pela obsolescência programada, faz com que a sociedade normalize o desperdício, dificultando a resolução do impasse ambiental.

Portanto, medidas são urgentes. Cabe-se ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) criar um Plano Nacional de Infraestrutura Verde. Isso deve ser feito por meio da destinação de verbas federais, que serão usadas especificamente para implementar a coleta seletiva universal e aterros adequados, a fim de garantir o Art. 225 e dar ao cidadão os meios para a mudança de hábitos.