Principais desafios e estratégias para erradicar a pobreza e a miséria no século XXI
Enviada em 02/10/2025
O verso “Ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação”, da banda Legião Urbana, denuncia o descompasso entre a lei e a realidade social brasileira. De forma análoga, a persistência da pobreza extrema no país revela que a promessa constitucional de dignidade ainda não se concretizou. Nesse cenário, o problema se perpetua devido à insuficiência das políticas assistenciais e a um modelo educacional que não promove autonomia.
Em primeiro plano, a fragilidade das políticas públicas agrava o ciclo da miséria. Embora a Constituição de 1988 preveja a erradicação da pobreza, programas como o Bolsa Família, apesar de essenciais, focam no alívio imediato sem oferecer “portas de saída” consistentes. A ausência de uma integração robusta com políticas de qualificação profissional e emprego faz com que a dependência do Estado se torne intergeracional, violando o princípio do valor social do trabalho e da dignidade.
Ademais, o sistema de ensino contribui para a manutenção da vulnerabilidade. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, a escola pode atuar como um mecanismo de “reprodução social” ao não fornecer as ferramentas para a ascensão das classes desfavorecidas. Isso se evidencia na superficialidade ou ausência da educação financeira e do empreendedorismo no currículo básico, o que limita as perspectivas dos jovens. Com isso, a falta de preparo para a gestão de recursos e para a geração de renda autônoma reforça o ciclo de dependência econômica.
Portanto, são necessárias ações para superar a pobreza estrutural. Para isso, o Ministério do Desenvolvimento Social deve reformular o Bolsa Família, condicionando o benefício à matrícula em cursos profissionalizantes. Tal medida ocorrerá por meio de parcerias com o Sistema S (Senai/Senac), que ofertará vagas alinhadas à demanda de cada região, a fim de criar uma “porta de saída” da assistência e promover a autonomia. Adicionalmente, o Ministério da Educação precisa incluir a “Educação Financeira” como disciplina obrigatória no Ensino Médio, por intermédio da atualização da Base Nacional Comum Curricular. Assim, o Brasil poderá, finalmente, alinhar o futuro da nação ao que determina sua Constituição.