Problemas causados pela possível aprovação da proposta de taxação de livros no Brasil
Enviada em 15/04/2021
A arte é capaz de transformar a mais dura realidade, faz o homem se sentir dono do seu mundo, um sujeito histórico, capaz de criar os seus próprios caminhos. E toda essa força motivacional que a arte fornece, a coloca como o objeto a ser perseguido, na Inquisição da Igreja Católica, no Index e nos regimes autoritários a censura com os seus livros proíbidos. E hoje para espanto da sociedade, o governo resolve propor o aumento dos impostos sobre os livros, com o triste e preconceituoso discurso que estes servem apenas para os ricos.
Ora, se faz imprescíndivel discorrer sobre o papel dos livros como agente das mudanças sociais. O homem quando detém o saber, consegue se livrar das amarras, das correntes que não o deixam pensar por si próprio. Assim como no Mito da Caverna de Platão, homens mataram aquele que quis explicar a realidade, e hoje o governo tenta destruir o já difícil caminho para o conhecimento que cerca da educação do brasileiro. Retirando dele o direito ao acesso aos livros. Indubitavelmente a leitura é a forma como o homem pode ser encontrar com a sua história, com o seu povo, com a sua realidade. Abrir seu conhecimento para o diferente, conseguir a sua revolução cultural, sair do senso comum e fugir dos preconceitos que assolam a cultura.
Além disso, o mercado editorial está preocupado com a sua manuntenção, visto que, com livros mais caros, menos pessoas comprando, e portanto o mercado dirimindo as pequenas e médias editoras. Essas que já se encontram desamparadas pelo governo, visto que no Brasil, falta uma campanha nacional que incentive ao hábito da leitura, e tudo isso dentro de um contexto de uma crise econômica agravada ainda mais por conta da pandemia que assola o mundo. E se pensarmos o livro apenas como um instrumento econômico, obstruir o acesso ao livro não é o caminho mais seguro para o desenvolvimento ecômico do país, pois se sabe que o saber criativo, uma das principais características buscada na mã-de-obra técnica, precisa ser construída. E aqui encontramos mais uma vez o livro, servindo para o desenvolvimento holístico do homem.
E é nesse diapasão que se vê urgente que o Estado, pelo Ministério da Fazenda, proponha leis que abarquem incentivos fiscais para com as editoras e livrarias para que os livros possam chegar ao maior público possível. E dessa forma contribuir de forma enfática com desenvolvimento do capital humano, o conhecimento. Como também possibilitar o maior números de narrativas dentro dos livros públicados, pois quanto mais livros públicados, maiores as chances de se ter a história de todos conhecidas e reconhecidas, respeitando a pluralidade cultural de um país tão vasto como o Brasil.