Problemas causados pela possível aprovação da proposta de taxação de livros no Brasil

Enviada em 26/04/2021

O românce “Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury, retrata um governo fortemente autoritário e alienador, onde, após o livro ser reconhecido como um mecanismo de adquição de conhecimento e certamente uma arma contra tal opressão, é sentenciado sua queima e destruição em massa. Hodiernamente, assemelha-se muito aos problemas causados pela possível aprovação da proposta de taxação de livros no Brasil, uma vez que, com a literatura sendo cada vez mais um objeto de lucro o distanciamento massivo da população brasileira nesse âmbito é inevitável. Paralelamente ao fator econômico, temos o social, com seleção de classes que receberão conhecimento e cultura proporcional ao poder aquisitivo.

Em primeiro lugar, é indubitável que a taxação dos livros no Brasil forçe o distanciamento do publico pelo literário. O Feudalismo teve seu fim pelo lucro excessivo em impostos. O Brasil deixou de ser colônia pela taxação exorbitante de Portugal. Sem dúvidas, com a taxação dos livros o caminho será o mesmo, haja vista, a maior parcela da população brasileira ser de mazelas e não possuir tanto poder aquisitivo, logo, metonimicamente, o pobre leitor será requisitado a duas escolhas: ter comida em sua mesa ou comprar um livro, e, racionalmente optará pelo combate à sua fome, distânciando-o do literário.

Outrossim, é inquestionável que o aumento nos preços dos livros pela taxação crie um reacionarismo nas classes sociais brasileiras. Desde a Grécia Antiga, com Àgora, a democracia é o mecanismo mais revolucionário e igualitário presente em um governo. Infelizmente, com a elevação na aquisição do livro, o objeto mais perpetuoso de conhecimento e cultura será restrito apenas para os mais providos de capital, já que, as classes baixas estão submetidas a maiores impactos monetários por conta das suas mazelas, então,  ficaram reclusos desse âmbito literário, e, proporcionalmente terá a diminuição no intelecto populacional brasileiro.

Portanto, de acordo com os argumentos supracitados, fica evidente que a possível taxação do livro no Brasil trará grandes problemas sociais e devem ser sanados. Logo, o Poder executivo, em comunhão com Ministério da Educação e Cultura, deverá financiar com dinheiro advindo dos impostos escolares novos grandes centros educacionais de livros, como a  famigerada Bienal. Ademais, visando a redemocratização, O Poder Legislativo outorgará leis que influenciem as livrarias nacionais a darem descontos relacionados ao poder aquisitivo do leitor. Dessarte, na prática, a população brasileira não só evitará o distanciamento dos livros como ganharão novos leitores, juntamente com a facilitação em obter um livro, fugindo da realidade observada em Fahrenheit 451.