Problemas causados pela possível aprovação da proposta de taxação de livros no Brasil

Enviada em 11/05/2021

A leitura no Brasil não faz parte do cotidiano da população, quer seja pelos altos valores cobrados pelos livros, quer seja pela falta de incentivo escolar e familiar durante a infância. Entretanto, mesmo com isso já sendo uma realidade, com a nova proposta de taxação dos livros, o futuro da leitura parece ser cada vez mais elitista e segregador. É inevitável concluir que o papel da leitura, que é de extrema importância para a formação do imaginário e da visão crítica do mundo, principalmente para a população de baixa renda, está sendo ameaçado.

Cabe destacar, em primeiro lugar, a influência da leitura no desenvolvimento cognitivo infantil. Segundo as informações de um artigo elaborado pelo Instituto Neuro Saber, a leitura tem papel fundamental no desenvolvimento de emoções, vínculos afetivos e na formação do imaginário infantil. Dessa forma, com o aumento dos valores dos livros, fica cada vez mais difícil para os pais inserirem essa prática na vida de seus filhos, situação essa que, a longo prazo, pode gerar deficiências na formação intelectual e afetiva da criança.

Ademais, também é possível observar o impacto da ausência de leitura em adultos, situação que se agravará ainda mais com a taxação dos livros. A dificuldade de interpretação de textos e a falta de visão crítica do mundo são sintomas facilmente detectáveis em adultos que não adquiriram o hábito de ler. Como consequência, a classe menos favorecida da população sofrerá ainda mais com a dificuldade de observar o mundo com clareza e criticidade, algo que se resolveria com um acesso pleno à literatura.

Por conseguinte, cabe ao Ministério da Cultura, com base em todos os protestos feitos pelas redes sociais, ir de encontro à nova taxação dos livros no Brasil e impedí-la. Através das manifestações da população o próprio governo deve ir contra à proposta sugerida por Paulo Guedes e vetá-la. Dessa maneira, é possível manter o acesso da população mais pobre aos livros e, assim, garantir o pleno desenvolvimento cognitivo de crianças e adultos no país.