Problemas causados pela possível aprovação da proposta de taxação de livros no Brasil
Enviada em 27/05/2021
“Fahrenheit 451”, escrito pelo autor norte-americano Ray Bradbury, é um livro sobre um futuro distópico em que ler foi completamente abolido e marginalizado pelo governo, e toda a informação que a população consome vem da grande mídia, tornando muito mais difícil o acesso à leitura. Embora seja um livro de ficção, a obra se encaixa no contexto brasileiro atual, pois a possível taxação de livros no país será ainda mais prejudicial para a população, em função da baixa acessibilidade de livros para as classes mais baixas e da pouca influência para o habito da leitura no cotidiano.
Primordialmente é notável que a baixa acessibilidade da população de classes menos favorecidas a livros é benéfica para o governo tanto na via econômica quanto na via administrativa, tornando o arrecadamento monetário nas poucas vendas de livros mais rentável ao passo que menos pessoas de classes mais baixas conseguem o conhecimento para se desalienar do “status quo”. Ademais, esse argumento aparece de forma lúdica na obra de George Orwell, “1984”, onde o governo limita o acesso a informação para as massas e quem tem conhecimento sobre o panorama geral trabalha para a máquina de censura do governo. Evidencia-se por tanto que, a falta de leitura da população, consequência de medidas diretas ou não, gera uma defasagem intelectual, e assim, uma sociedade mais vulnerável a injustiças sociais e regimes opressores.
Em segunda instância, a falta da leitura como um hábito entre a população tem relação com a falta de interesse induzida pela grande mídia. Segundo o sociólogo alemão, Theodore Adorno, a “Indústria Cultural” diz respeito a um novo modelo de alienação, onde os indivíduos que compõe a grande massa do proletariado moderno passam a maior parte do tempo se exaurindo, e ao chegarem em seus lares, buscam uma atividade de lazer pouco trabalhosa. É nesse contexto que a grande mídia entra, dando às pessoas um entretenimento padronizado ao passo em que subliminarmente às aliena para a realidade. É inferível, portanto que a rotina pesada da população negligência o habito de leitura da mesma e inicia um ciclo de desinformação.
Diante do discorrido, é notório que a aplicação de taxas em livros seria um fator agravante no número já baixo de leitores no país. Desse modo, com o objetivo de ampliar e construir um hábito de leitura mais forte no Brasil, o Ministério da Educação deve inserir na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) um número mínimo de livros que devem ser lidos ao longo da formação escolar dos estudantes e deve disponibilizar os livros selecionados para as bibliotecas de escolas públicas e privadas em todo o país. Fica cada vez mais evidente que a leitura é uma ferramenta extremamente importante para a formação pessoal e para o combate de injustiças e destopías como no livro de Ray Bradbury