Problemas causados pela possível aprovação da proposta de taxação de livros no Brasil
Enviada em 01/06/2021
O livro “Fahrenheit 451”, do escrito Ray Bradbury, narra um futuro distópico, em que o controle social, a massificação e a repressão à leitura marcam a sociedade. Apesar de ser uma ficção, essa obra, infelizmente, se assemelha a realidade nacional, devido à possível aprovação da proposta da taxação de livros que, de certa forma, “nega” esse meio cultural para uma parcela da população. Dessa maneira, é importante analisar como essa medida causa a elitização da leitura e a submissão popular.
A priori, é necessário destacar que a possível aprovação da proposta de taxação de livros gera, principalmente, o aburguesamento da leitura no Brasil. Tal medida reflete a situação histórica de desigualdade que permeia o país, a qual é exposta na obra “Os Sertões” , do escritor Euclides da Cunha. Segundo esse especialista, existem dois “Brasis”: o litoral, composto pela classe dominate, e o sertão, caracterizado pela perda de mecanismos básicos para a dignidade humana. A partir dessa concepção, percebe-se como a atual conjuntura nacional ainda se sustenta e estimula essa disparidade social, visto que os livros, principais instrumentos de qualificação educacional, cultural e profissional, podem ser, por meio dessa reforma inconstitucional, exculídos para a parcela mais pobre da população. Dessa forma, fica claro que esse projeto, ao aumentar o preço desse produto indispensável para a construção humana, induz à elitização do conhecimento e, consequentemente, ao crescimento da desigualdade entre o “litoral” e o “sertão” atuais.
Ademais, é válido ressaltar que a possível aprovação da proposta de taxação de livros, ao estimular o aburguesamento desse meio cultural, causa a formação de uma população manipulável. Tal forma de controle social foi exposta pelo filósofo Foucault, o qual afirma que um indivíduo ignorante está mais propenso a se tornar um “corpo dócil”, ou seja, ser mais facilmente dominado pelos grupos detentores do poder. Nesse sentido, nota-se que essa medida promove a docilização popular, uma vez que o aumento dos preços desses produtos inviabiliza sua aquisição pela classe mais pobre do país e, consequentemente, dificulta o acesso a informações que permitam romper com esse domínio e com a disparidade dos “dois Brasis”. Desse modo, observa-se que o futuro distópico de “Fahrenheit” não está muito distante da realidade atual brasileira.
Logo, para que essa questão seja resolvida, o Estado deve democratizar a leitura mediante o não taxamento desse meio cultural, além da criação de centros educacionais nas periferias que permitam o acesso da população carente a livros, nacionais e internacionais, e, também, disponibilize professores e educadores que façam debates sobre as obras, a fim de que o senso crítico seja desenvolvido, a leitura seja ampliada e, assim, o universo distópico de “Fahrenheit” seja apenas uma ficção.