Problemas causados pela possível aprovação da proposta de taxação de livros no Brasil

Enviada em 12/06/2021

O Brasil, sendo um país subdesenvolvido, espelha as características do grupo em que está incluído no que se refere ao mercado literário. Nesse contexto, Mário Quintana, poeta brasileiro, afirma que livros não mudam o mundo, mas mudam as pessoas. Sintetizando esse argumento com o panorama atual, observa-se que, com a possível aprovação da proposta de taxação de livros no país, uma sociedade que já é pouco leitora pode tornar-se menos ainda, o que colabora com a alienação social. Desse modo, é possível afirmar que essa ação resulta em um crescimento na desigualdade social e em uma população favorável ao desconhecimento.

Em primeira análise, percebe-se que a desigualdade no âmbito literário é recorrente em toda história brasileira. Um exemplo é o movimento do Romantismo, o qual chegou ao Brasil em 1836. O movimento era caracterizado pelo seu caráter elitista, ou seja, por estar disponível apenas à uma classe social privilegiada que possuía meios para adquirir as obras. Seguindo esse panorama histórico, segundo o veículo midiático “Guia do Estudante”, foi apenas em 1946, por meio de ações do escritor Jorge Amado, que os livros ficaram mais acessíveis. Nesse sentido, a possível taxação representa um retrocesso histórico, pois, dessa forma, menos pessoas terão acesso à cultura e ao conhecimento, assim como no passado.

Em segunda análise, o filósofo grego Sócrates defende em sua obra que a ignorância é o mal do homem. Em síntese com a teoria socrática, é possível afirmar que os livros são agentes que propagam conhecimento, com isso, quanto maior o número de leitores, maior será a quantidade de conhecimento compartilhado, o que resulta em uma sociedade consciente. Entretanto, se o encarecimento dos livros for efetuado, uma parcela menor da população terá acesso a eles, o que corrobora com a ignorância e com a alienação. Além disso, a taxação dos livros é um risco para a cultura, para a educação e para a própria economia do país, pois uma sociedade privada de conhecimento é uma sociedade sem perspectiva de progresso.