Problemas causados pela possível aprovação da proposta de taxação de livros no Brasil
Enviada em 01/07/2021
O livro “Fahrenheit 451” conta a história de um bombeiro, o qual seu trabalho é atear fogo nos livros, pois eles são conhecidos como objetos proibidos por serem portadores de conhecimentos criminosos. Fora da ficção, em paralelo com a nova taxação dos livros é uma forma de deter o conhecimento contido neles, visto que é um item de extrema importância. Portanto, a problemática ocorre desde a antiguidade, vem se tornando um item ainda mais inalcançável. Dessa maneira, faz-se indispensável enfrentar essa realidade com uma postura crítica.
A princípio, nota-se que, desde a antiguidade, as formas de arte eram destinadas às classes da sociedade com poder aquisitivo, o que afastava o conhecimento para parte da população, principalmente os trabalhadores. À vista disso, com o passar do tempo, os livros foram uma forma de levar cultura e educação a todas as classes. Seguindo essa linha de pensamento, verifica-se que a mesma atitude tem se perpetuado, de acordo com a teoria de Nietzsche, Moral de Rebanho, ocorre a tendência de repetição de hábitos, isto é, a “queima” e afastamento do conhecimento, repetindo um ciclo de manter a educação apenas por quem pode pagar por ela.
Desse modo, segundo o Jornal G1, a média de leitura brasileira é de 2,5 livros por ano. Diante disso, percebe-se que o hábito de leitura já é algo distante da população brasileira, devido ao difícil acesso. Portanto, com a nova taxação dos livros, ocorre ainda mais o distanciamento do leitor com a arte, visto que a população de classe média e baixa não recebe o suficiente para adquirir livros, já que não são um item de necessidade básica. De maneira análoga, o filme “Escritores da Liberdade” conta a história de alunos de uma escola na periferia, os quais não têm muito contato com a literatura, até uma nova professora desenvolver um projeto, ou seja introduzindo esse forma de conhecimento para seus alunos, os quais vivem em situações de risco e miséria, optando em escolher muitas vezes entre comprar comida ou o aluguel.
Por conseguinte, fica claro que ainda há entraves para assegurar a construção de um mundo melhor. Destarte, faz-se imprescindível que o Ministério da Educação, em conjunto com empresas público-privadas, disponibilize pontos de leitura pela cidade com livros gratuitos, principalmente em periferias, de modo que a leitura seja incentivada, com o objetivo de que o acesso aos livros seja efetivo. Conforme já dito pelo ativista Nelson Mandela, educação é capaz de mudar o mundo. Portanto, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, na sociedade civil, conferências gratuitas, em praças públicas, ministradas por psicólogos, os quais debatem a importância das artes para todos, de forma que o tecido social se desprenda de certos tabus e não caminhe para um futuro degradante.