Problemas causados pela possível aprovação da proposta de taxação de livros no Brasil
Enviada em 03/07/2021
“Um livro é uma arma carregada na casa vizinha. Queime-o. Descarregue a arma.” - tal citação, atribuída ao escritor Ray Bradbury em sua obra, Fahrenheit 451, traz, dentro de uma distopia, o incômodo causado pelos livros. Fora da ficção esse medo se materializa, a exemplo da proposta de taxação de livros no Brasil, que, caso aprovada, traz problemas para a sociedade brasileira - como a diminuição de leitores no país e prejuízos nas editoras, gráficas e livrarias.
A princípio, é digno mencionar a importância que a literatura tem na vida do ser humano, tornando-o um cidadão capaz de ter uma opinião própria e de fugir de alienações - a obra Fahrenheit 451 mostra a alienação das pessoas que vivem presas à tecnologia e a libertação que um livro traz. Tendo isso em vista, a aprovação da proposta de taxação do livro traria uma significativa diminuição de leitores no Brasil - país que já não é predominantemente leitor -, e, consequentemente, uma população mais alienada. De acordo com dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, 52% da população lê, e desta porcentagem, boa parte são pessoas de classe média e baixa, e estas seriam prejudicadas.
Além disso, como a autora da obra Beijo de Borboleta, Vanessa Guimarães pontua: “A taxação não só prejudica os menos favorecidos, como joga a pá de cal nesse mercado editorial tão atingido pela pandemia". Editoras, gráficas e livrarias são prejudicadas e o preço das obras aumenta, tornando o livro um objeto de elite. Novos autores nacionais já não recebem devido apoio por parte da população brasileira - que geralmente prefere obras internacionais -, e com a aprovação de tal medida taxativa, dificultando ainda mais o acesso à literatura, estes autores estariam largados à propria sorte.
Desse modo, a possível aprovação da proposta de tributação sobre os livros no Brasil traz impacto negativo, e como solução, cabe ao Ministério da Cidadania - que engloba o extinto Ministério da Cultura - promover projetos de doação e troca de livros e rodas de conversa, com o objetivo de promover o interesse da população pelos mesmos, fazendo com que, assim, os livros sejam mais valorizados - em meio a uma era tecnológica - e o conhecimento não seja elitizado, para que nossa sociedade não tenha medo do poder dos livros, como aquela que é apresentada em Fahrenheit 451 tem.