Problemas causados pela possível aprovação da proposta de taxação de livros no Brasil
Enviada em 25/08/2021
Na obra literária “O diário de Anne Frank”, são relatados episódios em que a privação cultural, ao limitar o acesso a livros e filmes, imposta aos judeus pelos governantes alemães na Segunda Guerra Mundial agravava a segregação social da comunidade germânica, motivada pelo eugenismo nazista. Mediante ao exposto, hodiernamente, no Brasil, ao dar enfoque à interligação que envolve os setores econômico e cultural, constata-se que a possível taxação de livros na nação corroboraria a elitização da literatura e, consequentemente, a segmentação e a exclusão individuais. Por isso, graças à subversão do caráter social e do potencial transformador literários, evidencia-se tal problemática na coletividade
Em primeiro plano, a inversão dos valores socioculturais dos livros corrobora a conjectura. Nesse sentido, a obra de ficção “1984”, de George Orwell, remete a um futuro distópico, no qual documentos literários autênticos são de exclusividade das altas classes, o que acarreta na manipulação do comportamento de massas, privadas involuntariamente, o que torna evidente o impacto da literatura na sociedade. Dessa forma, a partir do momento em que a elitização literária distancia os indivíduos do conteúdo transformador da leitura, emerge a subversão do caráter de livros, fator que faz com que o ato de ler, antes aparato da igualdade social, se torne ferramenta de disparidade. Logo, devido à corrupção do caráter transformador social da literatura, a taxação reverberaria a segregação.
Ademais, a limitação do potencial transformador dos livros à coletividade agrava, ainda mais, o cenário. Nesse viés, de acordo com a máxima do intelectual alemão Albert Einstein, uma mente jamais voltará a seu tamanho original. Desse modo, no instante em que o conteúdo literário abrange o legado cultural e científico da existência humana, a leitura passa a ter um caráter crucial ao progresso social, e dessa maneira, uma possível tributação das obras literárias limitaria significativamente a alcance dos livros e dos valores revolucionários que carregam. Assim, graças aos obstáculos advindos ao quadro, são necessárias medidas interventivas em prol da igualdade.
Portanto, depreende-se que a questão da possível taxação de livros é um desafio e carece de soluções. Sendo assim, agentes influenciadores, como escritores e leitores ativos, devem, por meio da organização popular de saraus literários em parcelas sociais com acesso reduzido à informação, despertar a atração pela leitura dentre indivíduos privados socialmente, a fim de fomentar o desejo pela democratização da literatura e, por conseguinte, despertar manifestações sociais contra a taxação da leitura e a elitização dessa, o que fará com que a privação sociocultural da comunidade se torne obsoleta e exista apenas em relatos como o de Anne Frank durante a Segunda Guerra Mundial.