Problemas causados pela possível aprovação da proposta de taxação de livros no Brasil

Enviada em 28/07/2021

A coesão social é resultado da interação entre o indivíduo e as Instituições socializadoras, de acordo com Émile Durkheim, sociólogo do século XIX. Para o pensador a interação diversificada é necessária para a formação da sociedade. No entanto, na atual realidade brasileira, devido à necessidade de afastamento social, medida protetiva da pandemia do novo coronavírus, as interações foram afetadas. Ainda mais, as crianças que possuem a formação pscicossocial em pleno desenvolvimento se afastaram presencialmente de diversas Instituições secundárias, como por exemplo, a escola. Sendo assim, cabe a análise dos principais impactos da quarentena e da pandemia na vida desses menores e possível medida de solução para a problemática.

Nesse contexto, a modificação da forma de ensino, utilizado remotamente durante a quarentena, aumentou de forma significativa o abandono de escolas, que para Durkheim tem um importante caráter de formadoção social. Nessa conjuntura, de acordo com a Unicef, mais de cinco milhões de infantos, no Brasil, não tiveram acesso ao ensino em 2020, número próximo ao existente no início de 2000, o qual havia melhorado com os incentivos públicos na educação. Logo, é evidente que a quarentena gerou um retrocesso na vida acadêmica em grande parte da população, o que poderá resultar em um menor preparo para a vida em sociedade. Contudo, tal fato fere o Estatuto da Criança e do Adolescente, o qual prevê direito à educação e preparo para exercício da cidadania a todos os menores.

Ademais, podem ocorrer traumas em razão das mudanças abruptas no estilo de vida familiar e nas atividades individuais da criança. Dessa forma, segundo uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo, um em cada quatro menores apresentam sinais de algum transtorno metal – como a depressão – durante o confinamento. Portanto, há a associação entre a necessidade de reclusão e o alto número de acometidos por desordens psiquiátricas. Além disso, devido à fase de desenvolvimento, acontecimentos da infância são capazes de influenciar o crescimento e amadurecimento neural. Por fim, o aumento de futuros adultos problemáticos dificultam uma efetiva coesão social.

Desse modo, visando mitigar os efeitos da pandemia nas crianças, será necessário o apoio gratuito. Isto posto, cabe ao Ministério da Saúde, órgão responsável pela elaboração e execução de políticas para a manutenção da saúde pública, disponibilizar psicólogo e psiquiatras especializados na infância para apoio emocional, por meio de parceria com esses profissionais e com convênios particulares. Para isso, serão necessárias visitas semanais nos lares e a formação de grupos de atendimento conjunto e recreativo. Objetiva-se, com isso, diminuir os impactos psicológicos nos pequenos confinados para que não sejam carregados traumas para a vida adulta.