Problemas causados pela possível aprovação da proposta de taxação de livros no Brasil

Enviada em 22/11/2021

A taxação de livros tem um efeito em cascata que acaba custando caro não apenas ao leitor, como também ao mercado editorial - que há anos não anda bem das pernas - e, na última instância, ao desenvolvimento econômico e social do país. A gente explica.

Taxar um produto significa, quase sempre, um aumento no valor do produto final. Isso porque ao menos uma parte desse imposto será repassada ao consumidor, especialmente se considerarmos que as editoras e livrarias enfrentam há anos uma crise agora intensificada pela pandemia e não pode retirar o valor desse imposto de seu já apertado lucro.

Livros mais caros também resultam em queda de vendas, que, por sua vez, enfraquece ainda mais editores e como impedir de investir em novas publicações –especialmente aquelas de menor apelo comercial, mas igualmente importantes para a pluralidade de ideias. Já deu para perceber a confusão, não é? Mas, além disso, qual seria o custo de uma sociedade com menos leitores e menos livros.

O livro não deveria, em última instância, ser pensado como um artigo de luxo ou como um privilégio de uma minoria mais rica: se ele é indispensável para uma classe privilegiada - como afirmado o ministro Paulo Guedes ao dizer que quem compra livros hoje, poderia Continuar os comprando mesmo com o aumento do preço - também deve ser indispensável para a população mais pobre.