Problemas e desafios do transporte público urbano

Enviada em 07/04/2021

De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês falecido em 2017, a velocidade é a principal marca dos dias de hoje. Nesse sentido, a rapidez que caracteriza a pós-modernidade afeta negativamente diversos aspectos da vida cotidiana, dentre eles, a crescente crise no transporte público urbano. Um grande reflexo dessa conjuntura é o alarmante aumento de carros nas ruas, bem como a precariedade na diversificação dos modais de transporte nas regiões urbanas. Logo, é imperativo que o poder público e a sociedade se unam para enfrentar esse problema.

Foi no Governo de Juscelino Kubitschek, meados do século XX, através do plano de metas, que se deu o maçante investimento nas malhas rodoviárias e isso ocasionou um impacto direto no aumento por consumo de carros. Desse modo, percebe-se que esse aumento gerou um desequilíbrio na mobilidade. A principal consequência é em relação aos grandes engarrafamentos e a elevada contribuição desses veículos com a poluição do meio ambiente, gerando problemas para a população de emissão dos gases poluentes. Por isso, é fundamental que ocorram incentivos públicos no enfrentamento desse problema ocasionado pelo desequilíbrio na locomoção urbana.

Outrossim, é possível identificar a precariedade de diversificação dos modais utilizados no Brasil e como esse aspecto influencia diretamente na aquisição de um veículo para se locomover de forma mais eficaz e rápida. Porém, com esse desenvolvimento desenfreado dos centros urbanos, a famigerada rapidez ficou de lado pelos grandes engarrafamentos ocasionados atualmente. A insuficiência de investimento na diversidade de meios de transporte oferecidos à população dificulta a locomoção e atinge o direito de ir e vir consagrado na Constituição Federal de 1988. A escassez de implementação de metrô, faixas exclusivas de ônibus e ciclovias é uma das principais causas da crise nos transportes urbanos. Destarte, é imperioso o investimento em medidas de estímulo na variedade dos modais.

Portanto, o desincentivo em compras de carros aliada a diversificação dos modais nos centros urbanos, são os caminhos que precisam ser trilhados pela sociedade, objetivando a melhoria nos transportes públicos. Para tanto, é preciso que o Ministério da Infraestrutura em conjunto com empresas publicitárias forneça à população campanhas que promovam o incentivo à locomoção por meio de transportes alternativos, como a bicicleta, como também forneçam alternativas para a utilização desses meios pela coletividade com o intuito de reduzir a quantidade de veículos nas ruas e por conseguinte reduzir a geração de poluentes. Ademais, é necessário que se constitua uma parceria entre Governo, Estados e Municípios no sentido de criar faixas exclusivas para ônibus e ampliar e construir metrô nas cidades, com o objetivo de desafogar trânsito e gerar qualidade de vida para todos.