Problemas e desafios do transporte público urbano
Enviada em 07/12/2020
A Agenda ONU (Organização das Nações Unidas) 2030 é um plano de ação global composto por dezessete metas que visam melhorar o mundo, e uma de suas tarefas é a garantia de comunidades sustentáveis. No entanto, o propósito torna-se inalcançável quando o assunto são os desafios do transporte público urbano. Nesse sentido, o problema deriva da falta de investimentos governamentais e têm como consequência a supervalorização dos carros.
Em primeiro lugar, é fundamental pontuar a negligência estatal com os modais públicos. Nessa perspectiva, de acordo com Thomas Marshall, o Estado é responsável por proporcionar serviços sociais como os transportes públicos. Todavia, nota-se que, geralmente, tais serviços tanto não possuem capacidade de atender toda a população brasileira, quanto são sucateados e não fornecem o mínimo de segurança no transporte. Dessa forma, é evidente que a ausência de foco das políticas públicas nesses modais prejudicam, na maioria das vezes, as pessoas que não têm condições financeiras de adquirir um transporte privado e são reféns do serviço estatal precário.
Além disso, a supervalorização dos carros é uma consequência da problemática. Nessa ótica, de acordo com Jane Jacobs, hodiernamente, os automóveis não só possuem a função de deslocamento, mas também de status social. Evidentemente, tal extrema valorização é derivada da falta de transportes públicos de qualidade, o que obriga indiretamente a população comprar veículos privados para deslocarem-se pelas cidades e, consequentemente, atrapalha no fluxo urbano. Logo, é notório que essa supervalorização atrapalha na mobilidade das grandes cidades, uma vez que seu crescimento rápido e sem planejamento não tem condições de suprir essa enorme demanda de carros - vide São Paulo, que apresenta corriqueiramente filas quilométricas de engarrafamentos pelo alto número de veículos particulares.
Portanto, urge que medidas sejam tomadas de modo a minimizar os problemas do transporte público urbano. Certamente, para que o problema seja amenizado, faz-se necessário que o Estado, na condição de garantidor dos direitos sociais e individuais, crie propostas governamentais que visem reduzir sua negligência e mudar a cultura da supervalorização dos carros. Isso será feito mediante parcerias público-privadas para a construção de malhas ferroviárias que interliguem as cidades, o que irá reduzir o número de veículos particulares nas estradas. Somente assim, chegar-se-á à realidade proposta pela ONU para 2030 e, por conseguinte, construir-se-á um Brasil com mais direitos sociais.