Problemas e desafios do transporte público urbano
Enviada em 21/05/2021
A República Federativa do Brasil constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamento o direito ao transporte. Entretanto, a locomoção pública urbana atual pauta-se em um modelo excludente, indo de encontro à Constituição. Com efeito, deve-se analisar os valores associados ao consumo exacerbado, assim como o modelo de transporte fomentado pelo Estado.
Em primeiro plano, a mídia incentiva o elevado índice de compra de veículos automotores. Nesse sentido, Theodor Adorno - importante filósofo alemão - criou o conceito de Indústria Cultural, que defende que veículos midiáticos modelam um comportamento de compra. A esse respeito, a sociedade brasileira atual é influenciada pelo excesso de propagandas de carros, e optam em adquiri-los no lugar de exigirem maiores investimentos em outros meios de transporte - como trens e metrôs. Dessa forma, enquanto a mídia fomentar o consumo excessivo, o povo brasileiro ficará refém de meios de locomoção precários.
Ademais, verifica-se historicamente um modelo locomotivo baseado no rodoviarismo. Sob esse aspecto, o governo Juscelino Kubitschek - cuja gestão data de 1956 a 1961 - preferiu investir na construção de rodovias e fomentar a população a adquirir veículos próprios. No entanto, a ideologia de JK permanece no Brasil atual, uma vez que os brasileiros permanecem reféns de possuírem seus próprios carros, ou optarem por ônibus em sua maioria, precários. Assim, enquanto o modelo rodoviário for a regra, o bem-estar social no transporte será a exceção.
Urge, portanto, que a Constituição seja efetiva a todos. Para que isso ocorra, o governo federal, em parceria com os governos estaduais, deve estimular o investimento no ferroviarismo, por meio do aumento das verbas destinadas as malhas de trens e metrôs - alternativa sustentável capaz de reduzir o rodoviarismo. Tais investimentos teriam a finalidade de reduzir a aquisição de carros, bem como a não adesão à Indústria Cultural, de Adorno. Dessa forma, o transporte social deixará de ser traumático para a maior parte da sociedade e contribuirá para uma nação mais democrática e inclusiva.