Problemas e desafios do transporte público urbano

Enviada em 20/07/2021

O poeta Carlos Drummond de Andrade, no poema “No Meio do Caminho”, narra o momento inesquecível do eu lírico ao lidar com uma pedra, a qual impedia seu caminho. Fora do contexto poético, o Brasil também enfrenta obstáculos os quais barram o progresso do transporte público, logo, do direito de ir e vir. Essa problemática persiste devido à falta de acessibilidade e investimento no setor de mobilidade pública.

Em primeiro lugar, é importante pontuar que a falta de acesso às locomotivas públicas colabora para o desrespeito de um direito constitucional. Sob essa ótica, o jornalista brasileiro Gilberto Dimenstein, na sua obra “O Cidadão de Papel”, descreve a situação de abandono que a nação brasileira se encontra ao ter seus direitos apenas em legislações burocráticas, mas nunca efetivadas na realidade. Dessa maneira, observa-se que o povo brasiliense, apesar de possuir garantias constitucionais ao direito de ir e vir, sofre com a escassez dos meios de locomoção coletiva. Isso configura-se como um problema, uma vez que impõe ao Brasil uma invisibilidade legal e o priva de uma boa qualidade de vida, posto que os transportes são imprescindíveis para ligar o indivíduo com suas necessidades básicas, como acesso às escolas, aos hospitais e ao trabalho.

Em segunda análise, é notório que a falta de investimento na seção de locomoção pública também é um obstáculo para a efetiva cidadania. A respeito disso, o sociólogo Louis Althusser, em sua tese marxista, afirma que os mecanismos estatais são usados em prol da classe que detém o poder.  Nessa perspectiva, percebe-se que na sociedade brasileira o capital é utilizado para interesses pessoais da elite política e econômica, o que é observado nos inúmeros desvios de verbas por políticos e repartições públicas dos cofres públicos, dinheiro o qual seria usado para benefício da população, como por exemplo, no financiamento de novos ônibus. Logo, essa situação é problemática e deve ser revertida para o bem coletivo.

Diante dos fatos supracitados, depreende-se que a ausência da acessibilidade e investimento no setor automobilísco devem ser combatidos. Para tanto, é preciso que o Governo Federal destine verbas, por meio de decretos presidenciais, aos ministérios e repartições responsáveis pelo transporte público, a fim  de que tais instituições populares atuem na promoção da acessibilidade, como pela melhoria da insfraestrutura de estradas e ruas. Além disso, tais financiamentos governamentais também devem ser direcionados para a compra de automóveis coletivos de qualidade, os quais propiciem o atendimento das expectativas constitucionais do direito de ir e vir. Dessa forma, o Brasil estará apto para superar a pedra a qual barrava seu caminho.