Problemas e desafios do transporte público urbano

Enviada em 09/11/2022

Segundo a antropóloga Lilia Schwarcz, existe uma política de eufemismos no Brasil, ou seja, determinados problemas tendem a ser suavizados e não recebem a atenção necessária. Seguindo essa lógica, vale a pena destacar a precariedade nos transportes públicos como um dos desafios ignorados, visto que, devido à alienação populacional e à negligência estatal, o problema se perpetua na nação.

Primordialmente, é nítido que a escassez de informações preserva os problemas nos transportes comunitários. Isso porque está presente entre os brasileiros o “Paradoxo da Moral”, conceito criado pelo musicólogo Vladimir Jankélévitch para exemplificar a cegueira ética do homem moderno. Esse pensamento está relacionado ao contexto da alienação populacional brasileira, no qual os sujeitos sociais se calam diante das questões que prejudicam grupos menos favorecidos, desconsiderando a importância de determinados recursos, como uma melhoria nos equipamentos dos ônibus públicos, tendo em vista que grande parcela populacional usa esse meio de transporte, para o cumprimento dos direitos sociais. Dessa maneira, trazer essa pauta à discussão social é imprescindível.

Outrossim, é fulcral ressaltar a inoperância governamental como um agente do revés. Nesse sentido, a ausência de projetos estatais que visam uma aprimoração nos transportes públicos brasileiros contribui para a precariedade do setor. Desse modo, parte da população deixa de ter uma maneira adequada de locomoção, o que resulta na degradação da sua qualidade de vida. De acordo com o filósofo Aristótoles, a base da sociedade é a justiça. Entretanto, essa justiça não se concretiza, pois, não há investimentos estatais suficientes nessa área, materializada na péssima condição dos assentos nos ônibus comunitários. Logo, é notório que a omissão do Estado perpetua a problemática.

Portanto, cabe aos veículos midiáticos, principais meios de difusão de informação, alertarem a população sobre esse problema, por meio de mobilizações sociais, para que tal pauta seja discutida pelo público e receba a devida atenção dos governantes. Ademais, o Ministério Público deve fiscalizar a aplicação dos poderes estatais, visando superar os desafios presentes no transporte público urbano.