Problemas e desafios do transporte público urbano

Enviada em 18/01/2023

Com o advento da expansão das indústrias automobilísticas no governo de Juscelino Kubitschek, houve um aumento progressivo do êxodo rural sem um planejamento urbano adequado. Dessa forma, cria-se a condição de macrocefalia urbana, que acarreta os problemas e os desafios do transporte público em tal meio. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: a insuficiência governamental e o lucro como único objetivo dos empresários.

Em primeira análise, evidencia-se a política negativa de ocupação dos municípios da zona urbana. Sob essa ótica, o jornal Agência Brasil narrou, numa reportagem, a história da trabalhadora doméstica Maria Sales, que percorria 35 quilômetros para o trabalho. Desse modo, evidencia-se a questão da moradia como um dos fatores determinantes para a manutenção da problemática, visto que houve a tendência em concentrar os serviços de maior relevância, como as instituições do Estado, na área central da cidade e, simultaneamente, ocorreu a expulsão dos moradores do local para as periferias, o que propiciou o aumento do tempo de deslocamento diário, o movimento pendular, e a explosão de usuários de transportes públicos.

Ademais, é notória a postura gananciosa dos proprietários das empresas privadas que controlam o sistema de transporte público em inúmeros municípios. Segundo o sociólogo Karl Marx, o capitalismo visa, essencialmente, o lucro, o que, portanto, provoca danos expressivos ao ser em esfera individual e coletiva. Dessa forma, tais prejuízos se manifestam quando, por exemplo, há a recusa por parte dos empresários em renovar as peças automobilísticas ou efetivar o pagamento dos motoristas e cobradores de ônibus, ações que resultam nos “engarrafamentos” e nas greves da categoria, respectivamente.

Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham conter o avanço das problemáticas do transporte público urbano. Dessa maneira, cabe ao Governo Federal, representado pelo Ministério dos Transportes, implementar a organização do sistema, através da promoção da vistoria anual dos automóveis e de multas para o atraso salarial num período de 3 meses como cláusula contratual obrigatória em solo nacional, por meio da articulação com os governadores, a fim de refrear o avanço das condições deficitárias do transporte público brasileiro.