Problemas e desafios do transporte público urbano
Enviada em 07/07/2023
A pintura em tela “Os Operários” da artista brasileira Tarsila do Amaral retrata a condição de massificação dos trabalhadores brasileiros, a vunerabilidade e a exploração no ambiante urbano. Esse cenário, fora da perspectiva artística, é intensificado ao alinhar a desigualdade social às degradantes estruturas das cidades, como o transporte público. Desse modo, essa problemática gera desafios sociais, inseridos historicamente, para a plena consolidação da cidadania.
Nesse sentido, primeiramente, a sociedade brasileira é construída historicamente e traz consigo problemas sociais, os quais se aprofundam com as desigualdades, como a qualidade dos transportes coletivos urbanos. Desse modo, o governo de Juscelino Kubistcheck e a promulgação do famoso Planos de Metas previam a modernização do país ao incentivar pesadamente o transporte privado em detrimento do público. O resultado, pois, não se deu de imediato, visto o pretígio momentâneo da equiparação aparente do Brasil aos países já industrializados. Entretanto, na atualidade, é perceptível a defasagem da malha de locomoção urbana, além dos desafios para o melhoramento desse setor.
Como consequência desse contexto, o inchaço das rodovias, as péssimas condições dos transportes e a diminuição da qualidade de vida do cidadão dependente de ônibus ou trens, tornaram-se um verdadeiro quadro de Tarsila. Dessa forma, constrói-se mecanismos que impossibilitam a plena consolidação dos direitos individuais, como o impedimento da livre circulação, pelos limitados investimentos e planejamentos do setor público no melhoramento da mobilidade. Para essa perspectiva, Gilberto Dimenstein, jornalista brasileiro, afirma existir uma “cidadania de papel” em que os direitos constitucionais não entram em vigor integralmente, ou seja, não saem do papel.
Portanto, é imprescindível a resolução dos problemas e desafios do transporte público urbano. Com essa visão, o Ministério da Infraestrutura, principal responsável pela mobilidade nacional, deve buscar romper com o fardo histórico de desvalor às locomotivas coletivas. Isso será possível mediante investimentos na qualidade e segurança de ônibus e trens. Essa ação tem em vista uma melhor condição social e a desconstrução do “cidadão de papel”.