Problemas relacionados à alimentação no século XXI

Enviada em 19/09/2019

“Ordem e Progresso”. Por mais de um século esse tem sido o lema da nação brasileira. Escrito no céu estrelado da Bandeira Nacional, o ideal desse bordão traz um claro significado de prosperidade. No entanto, quando se observam os problemas relacionados à alimentação no século XXI, é possível notar que os princípios desse slogan não correspondem com a realidade atual do país. Nesse contexto, a má gestão do Estado, associada ao uso excessivos de agrotóxicos, é a principal causa dessa problemática.       Em primeiro lugar, é importante destacar que os problemas relacionados à alimentação do século XXI evidenciam a ineficiência administrativa do Estado. A esse respeito, o sociólogo Zygmunt Bauman afirma em sua obra “Modernidade Liquida”, que algumas instituições governamentais perderam sua função social e se configuram atualmente como “instituições zumbis”. Essa metáfora proposta por Bauman serve para demonstrar que algumas instituições públicas são incapazes de desempenhar seu papel no contexto social e acabam por não cumprir com os direitos fundamentais da população. Assim, a fragilidade das ações do Governo colabora com a permanência dos problemas alimentares e milhões de pessoas sofrem com a incompetência estatal.

Ademais, segundo o dossiê publicado em 2015 pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), apenas em 2012 o Brasil comprou oitocentos e vinte e três mil toneladas de agrotóxicos e boa parte desse total é proibida em outros países. Tal informação revela que a enorme quantidade de toxinas nos alimentos é um dos maiores causadores de doenças relacionadas à área alimentar. Prova disso, é a posição do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o qual defende que o modelo de cultivo com o intensivo uso de agrotóxicos gera grandes malefícios, e a poluição ambiental e a intoxicação da população são as mais comuns. Nesse sentido, o Estado novamente se demonstra ineficiente frente a solução das adversidades, haja vista que libera esse uso excessivo de agentes químicos causadores de doenças.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para reverter o quadro atual. Para combater o excesso de agrotóxico na indústria alimentícia, urge que o Ministério da Agricultura crie, por meio de verbas governamentais, políticas de uso controlado de agentes químicos no setor pecuário, respeitando os valores impostos pelo Ministério da Saúde a fim de evitar problemas futuros. Além disso, a intensificação da fiscalização dessa norma é de suma importância e deve ser feita por institutos especializados e, em caso do não cumprimento dos deveres, cabe a aplicação de multas severas para evitar infratores. Dessa forma, o Estado se mostraria eficiente nessa luta e o ideal do bordão escrito na Bandeira Nacional seria alcançado.