Problemas relacionados à alimentação no século XXI

Enviada em 16/10/2019

“Muito além do Peso” é um documentário brasileiro que alerta sobre os fatores que estimulam o consumo de alimentos hipercalóricos. Embora a divulgação de informação acerca dos hábitos insalubres tenha aumentado, o padrão dietético do indivíduo continua sendo induzido pelo meio social e indústria alimentar, o que resulta na síncope do sistema público de saúde. Diante da problemática exposta, cabe a análise das causas e efeitos desta má alimentação, além de buscar medidas resolutivas adequadas ao mundo contemporâneo.

A priori, deve ressaltar que o hábito alimentar do indivíduo é influenciado pelo meio social o qual ele pertence. De acordo com Pierre Bourdieu, a partir do momento que a pessoa se insere em determinado grupo social ela irá adquirir os comportamentos e valores desta classe. Deste modo, gera-se uma massificação dos gostos, ou seja, todos do grupo consumem a mesma coisa. Diante disso, o hábito alimentar da sociedade, ditado pela cultural alimentar ocidental, torna-se padronizado, as escolhas por alimentos passam a ser a mesma, além disso o alimento adquire um status social. Neste sentido, o indivíduo de forma espontânea e desprovido de senso crítico abre mão de uma alimentação diversificada e rica em nutrientes e passa a consumir aquilo o qual seu nicho social definir.

Outrossim, decorrente de uma alimentação padronizada e com efeito deletério, ocorre a sobrecarga do sistema de saúde. Segundo relatório da OMS, de todas as causas de morte no mundo em 2016 as doenças cardiovasculares foram responsáveis por 15,2 milhões. Esse número alarmante se dá em parte pelo consumo exagerado de alimentos industrializados ricos em gordura e açúcar, e que estão diretamente associados ao desenvolvimento de doenças como Acidente Vascular Cerebral, Cardiopatia isquêmica, Diabetes Mellitus e Hipertensão. Desta forma, recursos financeiros que deveriam ser utilizados na educação e prevenção de doenças, passam a ser realocados para o tratamento delas, onerando o sistema de saúde, visto que o tratamento de enfermidades é mais dispendioso que a prevenção.

Portanto, o manejo da prática alimentar deve ser repensado. Compete ao Poder Executivo investir em ações que minimizem o impacto causado pela má alimentação, elaborando uma legislação que obrigue industrias a diminuir os níveis de açúcar e gorduras de seus alimentos, e oferecendo incentivos fiscais para produção de alimentos orgânicos, assim a população terá à disposição alimentos variados, ricos em nutrientes e benéficos à saúde. Deste modo, será possível garantir que, de fato, ocorra uma melhora no padrão alimentar da sociedade. Oportunizando ao indivíduo escolher alimentos muito além dos hipercalóricos.