Problemas relacionados à alimentação no século XXI

Enviada em 10/03/2020

“Que o teu alimento seja teu remédio e que o teu remédio seja teu alimento”. Essa frese de Hipócrates, médico grego e considerado o Pai da Medicina, revela a importância da alimentação para uma vida saudável. De fato, a ingestão de bons alimentos é responsável pela prevenção e cura de várias doenças. Todavia, com o surgimento das sociedades industriais alienadas, controladas pelo trabalho, tempo e propagandas, alimentar-se bem virou um desafio.

A priori, é importante ressaltar que a partir da 1ª Revolução Industrial, onde a urbanização gerou o excesso de trabalho e a racionalização do tempo, e o advento dos alimentos ultraprocessados- ricos em sal, açúcar, gorduras e conservantes-, a nutrição no mundo transformou-se negativamente atingindo todas as classes sociais e faixas etárias. Com efeito, a inclusão da mulher no mercado de trabalho e uma rotina cada vez maior de atividades das famílias- trabalho, domésticas, filhos, escolas-, levou a sociedade a adotar o estilo de alimentação industrial, ou seja, rápida, barata e saborosa, porém prejudicial. De fato, segundo pesquisas publicadas na revista The Lancet, a má alimentação é responsável por cerca de 11 milhões de mortes por ano, principalmente por doenças cardíacas, câncer e diabetes tipo 2.

Vale salientar, também, que esse quadro é agravado por propagandas apelativas de produtos alimentícios que prometem praticidade e saúde. Esse tipo de conduta tem levado a substituição gradual dos alimentos in matura ou minimamente processados. Dados do Instituto de Geografia e Estatística mostram que entre 2008 e 2009 o consumo de ultraprocessados aumentou de 20,8% para 25,4% e por conseguintes mortes e doenças relacionadas com esse tipo de nutrição. Vale acrescentar que a juventude é a principal vítima desse processo, as publicidades com imagens, brinquedos de heróis e desenhos são usados para vender esses alimentos que por sua vez têm causando uma pandemia de obesidade, aumento em 10 vezes nas últimas 4 décadas, afirma a Organização Mundial de Saúde.

Fica claro, portanto, a necessidade de enfrentamento dos desafios gerados pela má alimentação. Assim, diante do poder econômico e cultural das grandes empresas, é preciso conscientizar a população. Para isso, o Ministério da Educação em parceria com as Secretarias Municipais deve financiar projetos de educação alimentar nas escolas, acessíveis aos alunos e a comunidade, com a finalidade de orientar por meio de palestras e encontros os riscos dos alimentos ultraprocessados e os benefícios dos saudáveis para uma melhor qualidade de vida, como bem alertou Hipócrates.