Problemas relacionados à alimentação no século XXI
Enviada em 15/12/2020
Segundo o protagonista da obra “O Triste Fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, é dever dos brasileiros valorizar o solo fértil do país, que oferece produtos diversos e de qualidade. Contudo, a realidade nutricional do Brasil revela-se preocupante, pois a denominada “transição nutricional”, que abrange as transformações alimentares oriundas de mudanças econômicas, sociais e culturais, aflinge a população deste século e gera malefícios. Logo, há de se analisar os fatores prepulsores da referida cultura alimentar obsoleta, assim como suas consequências para a sociedade, com o intuito de erradicar seus desdobramentos.
Em primeiro lugar, para entender a mudança da dieta contemporânea, é preciso observar tanto a ação da indústria alimentar após a explosão demográfica e o aumento da demanda de produtos, quanto a alteração do perfil consumidor provocada pelo novo modo de vida capitalista. De acordo com o exposto, o desenvolvimento de transgênicos que objetivizam potencializar a agricultura, sequenciou o aumento do uso de agrotóxicos, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, além de gerar uma monopolização da produção, já que os pequenos investidores não são capazes de aplicar a tecnologia intensiva. Desse modo, conclui-se que a inserção das técnicas para produção em larga escala diminui a diversidade das ofertas e o poder de escolha da população.
Consequentemente, a desvalorização nutricional, aliada à perpetuação de errôneos hábitos alimentares pelos indivíduos, intensificam o aumento da parcela populacional que sofre de obesidade, diabetes ou desnutrição, fatores que geram 2,7 milhões de mortes por ano, segundo a Organização das Nações Unidas. Outrossim, como ilustra o documentário “Take your Pills” (2019), a indústria farmacêutica lucra bilhões de dólares anuais, com a promessa de reverter os efeitos de uma alimentação desequilibrada. Porém, tais medicamentos, como emagrecedores e estimulantes, não são eficazes, e podem causar severas consequências, a longo prazo.
Em sintonia com o exposto, é correto inferir a gravidade da ignorância dos cidadãos a respeito da saúde alimentar, logo, cabe ao Estado garantir a implantação de projetos educacionais sobre hábitos nutricionais desde as tenras idades, em parceiria com o Ministério da Educação. Por meio de palestras e exposições ilustrativas com profissionais da saúde, as escolas devem explanar a importância das refeições equilibradas. Ademais, cabe ao governo subsidiar a expansão da agricultura familiar, com o intuito de promover o aumento da oferta de produtos orgânicos no mercado, pois, somente a partir das ações aludidas, tornar-se-ia possível aproveitar as riquezas naturais brasileiras como Policarpo desejava.