Problemas relacionados à alimentação no século XXI
Enviada em 11/12/2020
A constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito a alimentação a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se aplicado com eficácia na prática, pois no Brasil se observa hábitos alimentares não saudáveis desde a infância, dificultando, desde modo, a universalização desse direito social tão importante. Nesse contexto, assegura-se a deficiência de políticas públicas e a indústria capitalista vigente, como pilares da problemática. Porém, decerto, é imprescindível que essa realidade mude, para o avanço da sociedade.
Em primeiro plano, é válido ressaltar a escassez de projetos governamentais voltados a alimentação como suporte ao problema no cenário atual. Nesse viés, cabe mencionar o que propõe o filósofo contratualista John Locke. Segundo ele, a intervenção do estado é fundamental para proteger e garantir direitos a todos os cidadãos de forma segura e eficaz. Infere-se, assim, que, os hábitos alimentares saudáveis no brasil é uma utópia, visto que a distribuição de alimentos é desigual. No viés, o Estado não vem assegurando o direito alimentar com igualdade, tal desigualdade afeta primeiramente as crianças de baixa renda que, por suas famílias não terem condições de ofertar uma alimentação balanceada e de qualidade, são sujeitadas a consumirem alimentos não saudáveis. É notório, então, a necessidade de medidas que revertam o problema.
Outrossim, é fundamental apontar a indústria alimentícia atual como impulsionadora de más hábitos alimentares no Brasil. Nessa linha de raciocínio, de acordo com o filósofo Theodor Adorno, a indústria cultural visa o lucro e tende a massificar e uniformizar os gostos dos indivíduos. Com base nisso, interpreta-se, que a indústria cultural está ligada também a alimentação, pois todos os dias mídias televisivas e internet divulgam inúmeras propagandas de fast-foods, sorvetes, refrigerantes, dentre outros alimentos considerados prejudiciais à saúde. Dessa forma, há a massificação da preferência das crianças em consumir alimentos industrializados, deixando de lado comidas saudáveis. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Diante do exposto, medidas são necessárias para combater esses obstáculos referentes a alimentação saudável desde a infância. Para isso, é imperioso que o Ministério do Desenvolvimento Social, por intermédio de projetos de distribuição de cestas básicas, alcancem a todas as populações carentes do país, a fim de mitigar casos de má alimentação. Ademais, cabe a Organizações não Governamentais (ONGs) em parceria com o Ministério da Saúde, realizar panfletos e vídeos sobre a importância de bons hábitos alimentares desde a infância, no intuito de conscientizar a população. Sendo assim, poder-se-á consolidar desde a primeira infância a saúde alimentar.