Problemas relacionados à alimentação no século XXI
Enviada em 27/06/2021
As primeiras organizações civilizacionais da história foram construídas à margem dos rios Tigres e Eufrates, já que o seu posicionamento geográfico permitia que elas desenvolvessem atividades agrícolas e alimentassem suas comunidades. Diante da constatada relevância da produção e consumo de insumos, coloca-se em pauta, hodiernamente no Brasil, os problemas relacionados à alimentação. Nesse sentido, urge o debate acerca da estrutura socioeconômica que possibilita a emersão da problemática na contemporaneidade, além da observação nos seus impactos em território pátrio.
Em primeira análise, cabe a análise relativa à conjuntura de produção alimentícia predominante, tendo em vista os efeitos ambientais e patogênicos provenientes dessa. Sob a ótica marxista, em sociedades capitalistas, a organização coletiva é orientada por valores que maximizam a produção de lucro em detrimento ao bem-estar humano e ambiental. Isso posto, evidencia-se que, estruturalmente, há uma prevalência de estímulo à geração exponencial e, comumente, irresponsável de alimentos que causam danos em toda sua cadeia produtiva, do plantio à mesa — fato que constatado, por exemplo, com o uso de agrotóxicos que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), matam 20 mil pessoas por ano. Diante disso, conclui-se que, registrada uma cadeia de produção insustentável e exploratória, danos irreparáveis são gerados, podando as condições de desenvolvimento ambiental e humano.
Outrossim, a Constituição Cidadã de 1988 estabelece como diretriz nacional a preservação da fauna e flora do país, também coloca o Estado como defensor da saúde e bem-estar coletivos. Contudo, subverte-se a lógica constitucional ao ser observado o descaso com a política de produção alimentícia e de proteção ambiental no Brasil, que o coloca como pária no cenário global e o distancia do debate climático sério na Cúpula do Clima. Dessa perspectiva, obras cinematográficas como Wally-E registram a potencial distopia, ambiental e social, reservada aos indivíduos a submeterem-se a lógica de produção devastadora: terra arrasada e humanidade inábil fisicamente.
Portanto, é imprescindível o remodelamento estrutural na cadeia produtiva e de vendas da indústria alimentícia no Brasil. Assim, cabe ao Ministério da Saúde, em ação intersectorial com o Ministério do Meio Ambiente, promover — por meio do estímulo a projetos de pesquisa e extensão, nas Universidades Públicas do país — estudos quali-quantitativos voltados ao mapeamento regional do real cenário pátrio no que tange a produção de alimentos, registrando o abuso no uso de pesticidas e a exploração do espaço natural, por exemplo. A partir dessa ação, tornar-se-á possível a ordenação de políticas públicas, que emergiram do debate especializado promovido por pesquisas acadêmicas responsáveis, apresentando sua contrapartida social e buscando amenizar a irresponsabilidade produtiva.